terça-feira, 26 de julho de 2016

Gesso Acrílico - Faça você mesmo!

Eu tive a prova de que a leve camada de tinta que vem hoje em dia sobre o tecido das telas é insuficiente quando fui mostrar a um amigo alguns estudos de cor que tinha realizado há alguns anos.
Um susto!
O óleo tinha extravasado a tela, aparecendo manchas amarelas embaixo da região em que eu havia pintado as diferentes mostras de tinta.
A partir daí, comecei a tomar mais cuidado e a utilizar gesso acrílico em todas as telas, mesmo quando a mídia a ser utilizada também era acrílica.
Isto tem um custo. Um vidro com 500 ml de gesso acrílico de boa qualidade custa até 39,00.
Bem, como não tinha a menor ideia da formulação deste material me conformava e adquiria o produto.
Isto até ter uma surpresa no Youtube: Você mesmo pode fazer o seu gesso acrílico a um custo do qual mais tarde faremos a conta.
Vejamos os ingredientes:
Material a ser utilizado (além de água)

  1. Gesso branco, que você encontra nas lojas de artesanato e de material de construção
  2. Tinta acrílica branca (comprei uma lata de um litro)
  3. Cola PVA, adquirida na mesma loja em que comprei a tinta.
  4. Água

Para preparar o gesso acrílico, tive que me valer de alguns utensílios, que adquiri em loja de "Um e noventa e nove".
Utensílios
Vejamos a relação:

  1. Uma bacia de plástico
  2. Uma peneira
  3. Um medidor (no caso usei um de 125 ml)
  4. Uma concha
  5. Um frasco de plástico para fazer a mistura
  6. Uma colher
O primeiro passo foi peneirar o gesso, para evitar que algum grão maior entrasse em nosso preparado
Peneirando o gesso
Comecei então a mistura, que tem a seguinte composição:
  • Uma parte de gesso comum branco
  • Uma parte de água comum
  • Uma parte de cola PVA
  • Duas partes de tinta acrílica branca
Vamos lá:
Colocamos uma medida de gesso no recipiente
Misturamos igual quantidade de água ao gesso (125 ml)
Não se assuste com a cor, pois vai ficar acinzentado. Vamos a seguir para a cola:
Uma medida de cola PVA que será adicionada à mistura
Não deixe de mexer bem, desde a fase da mistura da água com o gesso. Tenha paciência e misture bastante, para que a nossa alquimia funcione!
Misturando, misturando, misturando...
E olha só: o seu gesso acrílico está pronto!
Gesso pronto
Parabéns, você preparou um gesso que eu considero melhor do que os do mercado, por um quinto do preço! Agora é só usar:
O gesso sendo aplicado em tela sobre MDF
Os meus gastos:

Gesso: R$7,00 (dois quilos)
Cola PVA: R$22,00 (1 litro)
Tinta Acrílica: R$22,00 (1 litro)

Você vai conseguir fazer muito Gesso Acrílico com este material aí!
E tem mais, o gesso é muito mais espesso do que qualquer um que utilizei até hoje. Se você não gostar desta característica, vá aos poucos colocando um mínimo de água, até chegar ao ponto que você achar ideal. De minha parte, quanto menos água, melhor!


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Da Vinci e Michelangelo




    Da Vinci



    Michelangelo
    Talvez o maior exemplo da convivência de duas escolas em uma mesma época tenha sido a do Barroco com a Renascença, com Michelangelo produzindo lindas obras barrocas, enquanto Leonardo da Vinci, seu contemporâneo, produzia a sua obra genial, na plenitude da Renascença.
    Enquanto a Renascença primava pelo equilíbrio e pela racionalidade em seus trabalhos, o Barroco, muito mais emocional, imprimia os seus tons dramáticos através das diagonais e do claro-escuro em suas pinturas.
    Da Vinci e Michelangelo estiveram inclusive trabalhando juntos quando contratados para fazer murais em um palácio em Veneza, obra que não foi nunca terminada.

    A rivalidade entre os dois ficou explicitada quando, convidado para apreciar o fenomenal Davi de Michelangelo, Da Vinci se limitou a dizer que uma perna estava mais comprida do que a outra, o que, a seu ver, comprometia toda a escultura, que hoje é entendida como uma obra-prima, e patrimônio da humanidade.

    Pintores e escultores fenomenais, demonstravam suas diferenças de temperamento, pois enquanto Da Vinci elaborava seus tratados científicos, Michelangelo optava por escrever belíssimos sonetos...

    quinta-feira, 5 de novembro de 2015

    O cyan, o magenta e o amarelo primário

    Uma das receitas para o iniciante na pintura é começar trabalhando somente com as cores primárias, ou seja, o amarelo, vermelho e azul. Mas que amarelo, vermelho e azul? Amarelo de cádmio, amarelo indiano? Vermelho de cádmio, vermelho alizarim? Azul ftalo, ultramar ou de cobalto? Ou será turquesa?
    Bem, a tecnologia pode nos ajudar nesta história: basta pensar nos cartuchos de impressora que vem com versões destas cores, que são o cyan, o magenta e o amarelo primário.
    Nas impressoras vem também o preto primário, que é o carvão, e o branco é representado simplesmente pela ausência de cor.
    Trabalhando com uma palheta básica caracterizada por estas cores, só temos que acrescentar o branco, que pode ser o de titânio ou o de zinco, sendo o primeiro mais efetivo nas misturas, enquanto que o segundo mantem mais a transparência.
    Bem, estou fugindo do assunto. Aqui trata-se de criar uma paleta básica que possamos utilizar para pintar, usando as três cores básicas e sem pensar nem no preto ou no branco.
    Amarelo, magenta e cyan. As irregularidades observadas nas
    lavadas são observadas graças ao papel de aquarela
    Um recurso bastante utilizado pelos pintores para conhecer o lado para qual a tinta tende (quente ou fria) é a mistura com um pouco de branco, conforme podemos ver abaixo:
    Na fileira de baixo, cada uma das cores com um pouco
    de branco adicionado.
    Como se pode observar, quando cada uma delas é "aberta" com um pouco de branco, dá para conhecer melhor a sua natureza. Assim:
    • O cyan (azul) tende para o quente,
    • O amarelo se mantém também dentro de sua natureza quente e
    • O magenta (vermelho), quando aberto, é uma cor que tende para um tom mais frio.
    Vejamos abaixo como fica a obtenção das cores secundárias trabalhando com as primárias escolhidas:
    A mistura do Amarelo com o Cyan nos trás um verde bastante parecido com o Verde Esmeralda, que pode ser clareado ou escurecido conforme alteramos a composição da mistura.
    Quando misturamos o magenta com o amarelo, obtemos o laranja, que pode ser mais puxado para o laranja claro se usado mais amarelo, ou correr para um vermelho de cádmio claro se colocado mais magenta.
    Finalmente, quando misturamos o cyan com o magenta, obtemos um violeta profundo, quase negro. Como o resultado fica muito escuro, é comum acrescentar um pouco de branco para abrir o violeta.
    Duas dicas:
    • Comece as misturas sempre pela cor mais clara, que no nosso caso é o amarelo. Das três cores, o cyan tem o maior poder de tingimento, seguido pelo magenta. Assim, seja sempre econômico quando for utilizar o magenta numa mistura.
    • Você pode obter o preto cromático simplesmente misturando as três cores. Você poderá obter pretos mais quentes ou mais frios dependendo de sua receita.
    Que tal tentar agora obter um amarelo ocre, ou um azul ultramar usando estas cores básicas? Você consegue, eu garanto!