sexta-feira, 19 de junho de 2015

A cilada da Perfeição

O professor de cerâmica anunciou na primeira aula que ele estava dividindo a classe em dois grupos. Todos do grupo à esquerda, ele falou, teriam sua avaliação baseada exclusivamente na quantidade de potes que eles produzissem. O outro grupo, ao contrário, seria avaliado pela qualidade das peças que viessem a produzir, não importando a quantidade.
No final do dia ele pesaria as peças do primeiro grupo: 23 quilos de potes lhes daria um grau “A”, 19 quilos dariam um grau “B”, e assim por diante. Os que seriam avaliados pela qualidade de seus potes teriam um “A”, se fossem perfeitos, diminuindo a avaliação conforme a qualidade fosse decrescendo.
Quando chegou a hora de avaliar os resultados, um fato curioso surgiu: Os trabalhos de melhor qualidade pertenciam ao grupo que estava sendo avaliado pela quantidade. Parece que, enquanto o grupo da “quantidade” estava ocupado lidando com montes de argila num processo de aprendizado a base do erro/acerto – o grupo da “qualidade” investiu seu tempo teorizando sobre a perfeição, e terminou ao final tendo menos trabalhos para mostrar do que suas grandiloqüentes teorias e um monte de argila não utilizada.

Se você pensa que um bom trabalho é de alguma forma sinônimo de trabalho perfeito, você está caminhando para um problemão. Arte é humana, portanto arte é erro.

*Trecho traduzido do livro Art & Fear de David Bayles & Ted Orland

5 comentários:

  1. Uau. Verdade verdadeira. Também na literatura.

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  2. Uau. Verdade verdadeira. Também na literatura.

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  3. Muito bom. Arte também é transpiração.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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