Mostrando postagens com marcador História da Arte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História da Arte. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Da Vinci e Michelangelo




    Da Vinci



    Michelangelo
    Talvez o maior exemplo da convivência de duas escolas em uma mesma época tenha sido a do Barroco com a Renascença, com Michelangelo produzindo lindas obras barrocas, enquanto Leonardo da Vinci, seu contemporâneo, produzia a sua obra genial, na plenitude da Renascença.
    Enquanto a Renascença primava pelo equilíbrio e pela racionalidade em seus trabalhos, o Barroco, muito mais emocional, imprimia os seus tons dramáticos através das diagonais e do claro-escuro em suas pinturas.
    Da Vinci e Michelangelo estiveram inclusive trabalhando juntos quando contratados para fazer murais em um palácio em Veneza, obra que não foi nunca terminada.

    A rivalidade entre os dois ficou explicitada quando, convidado para apreciar o fenomenal Davi de Michelangelo, Da Vinci se limitou a dizer que uma perna estava mais comprida do que a outra, o que, a seu ver, comprometia toda a escultura, que hoje é entendida como uma obra-prima, e patrimônio da humanidade.

    Pintores e escultores fenomenais, demonstravam suas diferenças de temperamento, pois enquanto Da Vinci elaborava seus tratados científicos, Michelangelo optava por escrever belíssimos sonetos...

    sexta-feira, 21 de novembro de 2014

    A história dos pigmentos - Parte II

    Para ver a primeira parte da postagem, clique aqui.

    Os Romanos

    A maior parte da cultura romana foi herdada dos gregos, o mesmo acontecendo com os pigmentos, herdados não só dos gregos, mas dos egípcios também.
    O vermillion, por exemplo, vermelho desenvolvido pelos chineses e utilizados por todas as civilizações a seguir, foi muito encontrado nos afrescos das ruínas de Pompéia.
    Outra cor muito utilizada pelos romanos era o Violeta de Tirian, retirado de molúsculos, e de um valor impressionante, dada a dificuldade de obtê-lo. Este vsioleta era obtido de um pequeno cisto incrustado dentro de molúsculos.
    Bolinus Brandaris, o molusco utilizado para a obtenção
    do Violeta de Tirian

    Imensas quantidades de molúsculo eram necessárias para se obter um mínimo de pigmento. Em 1908, P.Friedlander coletou somente 1,4 gramas de pigmento puro com o sacrifício de 12.000 molúsculos. Até a modernidade ainda se encontra enormes pilhas destas conchas nos locais onde na era romana se extraia tão nobre pigmento.

    A Renascença

    Pouco aconteceu após os romanos, até a Renascença. O renascimento das artes, no entanto, fez com que novos desenvolvimentos acontececem com os pigmentos, a partir do século XIV.
    Os italianos conseguiram obter mais tons terra, através da queima do siena e do sombra natural. Desenvolveram, melhorando processos egípcios de confeção de tintas a base de laca, o amarelo nápole, e adotaram o uso do azul ultramarinho, a partir do lapi lazuli (veja o post)

    Séc.XVIII

    Com o advento da química moderna, o mundo começou a ver o início de novos pigmentos.
    Ainda em 1704 o industrial alemão Diesbach estava fazendo um tipo de vermelho laca, que requeria o uso de cloreto de potássio como um composto alcalino. O seu suprimento acabou e ele terminou se utilizando de resíduos, contaminados por óleo animal. Em vêz do vermelho, ele fez violeta, e depois azul. Foi a vez do Azul da Prússia, que é utilizado até hoje, aparecer no cenário. Foi esta a primeira produção de um pigmento sintetizado quimicamente.

    Séc.XIX

    O Azul Cobalto foi descoberto em 1802 por um químico chamado Thénard. Possuia uma explêndida transparência, sendo um azul de meio tom de grande permanência. Este pigmento é amado pelos artistas, por suas características, como força moderada de tingimento, secagem rápida e características apropriadas para a aquarela.
    O Azul Cerúleo apareceu em 1805, sendo também um pigmento do grupo do cobalto. Foi descoberto por Andreas Hopfner, sendo baseado em estanato de cobalto.
    Em 1828, J.B.Guimet descobriu um processo economicamente viável para a produção de azul ultramarinho sintético, ganhando um prêmio pelo feito (veja o post aqui).
    Assim, no século XIX foram descobertos sucessivamente, o amarelo de cromo, alizarim crimson, verde cobalto, violeta cobalto, branco de zinco opaco e o amarelo de cádmio. O vermelho de cádmio só se tornou disponível no início do séc. XX.

    Séc.XX

    As descobertas do século XX tornaram possível a criação de uma paleta quase que infinita para os artistas, inclusive com alternativas para os pigmentos considerados mais perigosos, como de chumbo, cádmio e o cromo.
    Assim a família de amarelos do tipo Hansa (alguns chamam de Aza), a família de pigmentos dos quinacridones e, essencial, o processo industrial que permitiu o uso em escala do branco de titânio, o mais permanente e opaco de todos eles.
    Conclusão
    Talvez não faça diferença à primeira vista para quem se utiliza destes pigmentos em sua paleta, mas conhecer a sua origem e as suas possibilidades é sempre importante.
    Inté!
    p.s. Veja na Parte I as referências que utilizem neste post.

    segunda-feira, 3 de novembro de 2014

    A história dos pigmentos - Parte I

    Imagem rupestre exposta na Universidade de York - Inglaterra

    Antiguidade

    A datação das pinturas encontradas em cavernas (chamadas de Rupestres) levou aos pigmentos que já eram utilizados há mais de 15 mil anos atrás.
    Os principais eram obtidos a partir de jazidas de óxido de ferro. Eram basicamente o amarelo ocre (a limonita), e o vermelho ocre (hematita). Outros pigmentos utilizados eram obtidos a partir do giz branco, constituído essencialmente por carbonato de cálcio e o preto, que era a fuligem obtida a partir da queima da gordura da caça,
    Hoje em dia ainda temos a nossa disposição estas cores, quando compramos o amarelo ocre, o terra de siena queimada (que é o vermelho óxido) e, apelando para tintas importadas, O Lamp Black, por exemplo, que é composta a partir de elementos semelhantes a fuligem de que falamos antes. No Brasil, podemos obter o Preto Marfim, obtido através da queima de ossos animais.
    Quanto ao branco, com o advento da renascença, o uso do carbonato de cálcio como pigmento foi abandonado.

    Contribuição dos Egípcios

    Há evidências de que os egípcios, em torno de 4000 AC, já preparavam pigmentos. As cores terrosas (os óxidos) eram lavadas, o que aumentava a sua força e pureza, sendo que novos pigmentos eram descobertos a partir dos minerais.
    O mais famoso deles foi o Azul do Egito, produzido a partir de 3000 AC. A sua matéria prima, semelhante a vidro de cor azul,  era obtido a partir de sua fusão, sob calor, com cobre e a seguir a sua maceração até se tornar num pó suscetível de ser utilizado como pigmento.

    Os Chineses

    Na antiguidade, a civilização chinesa estava muito a frente da ocidental, no que se refere a tecnologias, invenções, como a pólvora e o papel. Isto também não poderia deixar de ocorrer com os pigmentos. E assim aconteceu com o Vermilion, que os romanos só vieram a descobrir 2 milênios depois. Se por conta própria, ou surrupiando a ideia dos chineses, disto eu não sei.
    Pigmento Vermilion - PR106 - Fonte Wikipedia
    O Vermilion era obtido através da mistura, sob calor, de mercúrio com enxofre, produzindo um pigmento extremamente forte e opaco.

    Os Gregos

    Os alquimistas gregos foram responsáveis pela descoberta do branco de chumbo, considerado até hoje como o mais nobre de todos eles (Lucian Freud o utilizava). É proibido hoje em dia por suas propriedades venenosas. Dizem que os artistas chegavam ao final da vida carregando alguns quilos a mais, graças ao chumbo que se depositava em seu organismo, através da inalação ou de absorção da substância através da pele, o que é uma mentira minha, naturalmente. Mas o branco de chumbo é uma substância venenosa relevante que, se absorvida pela pele, pelas mucosas ou inalada, provoca danos irreparáveis.
    O seu processo de preparação levava alguns meses e consistia basicamente no armazenamento de barras de chumbo em locais confinados, com vinagre e esterco animal, levando à corrosão do chumbo e ao aparecimento de um depósito que era, ao final das contas, o pigmento desejado.
    Por incrível que pareça, este processo, com alguns aperfeiçoamentos permaneceu o mesmo até os anos 60, e produz sem dúvida um dos mais finos pigmentos da paleta do pintor.
    Tambor para corrosão do chumbo, utilizado no séc XIX
    Mas, como disse antes, apesar de disponível em alguns fabricantes, o branco de chumbo foi largamente substituido pelo branco de titâneo. Alguns fabricantes vendem uma imitação de branco de chumbo que não passa da mistura do branco de titâneo com o branco de zinco.
    Logo, logo, postarei a parte II da História dos Pigmentos.

    Para elaborar esta postagem, consultei principalmente o livro Artist's Color Manual de Simon Jennings. Fiz consultas também ao conspícuo The Artist Handbook do Ralph Mayer, além de algumas navegadas na internet, de onde tirei as ilustrações. 

    Para ver a segunda e última parte do post, clique aqui.

    sexta-feira, 24 de outubro de 2014

    O azul dos poderosos

    Sempre me fascinou saber que na idade média e até o início do século XIX, se obtinha o azul ultramar a partir do lapis-lazuli, pedra semi-preciosa que só os burqueses ricos e a igreja podiam comprar. Assim, além de utilizadas para fins de lapidação, eram moídas e preparadas para que seus melhores artistas pintassem mantos de santos e dos poderosos de então.
    Pepita de lapis-lazuli
    As pepitas, consideradas como uma rica mercadoria, eram trazidas pelos mercadores que se aventuravam por perigosos caminhos até as minas de Badakshan, no Afeganistão. Depois de percorrer uma tortuosa rota, as pepitas entravam na Europa através de Veneza, na Itália.
    As minas estavão uma região quase que inacessível nas nascentes do rio Oxus, do lado norte do Kush Indiano, Os estudiosos avaliam que estas minas foram a fonte mais provável do lapis-lazuli para a Mesopotâmia e para as outras civilizações do tempo clássico.
    Mas em 1806 isto começou a mudar.
    Os cientistas franceses Desormes e Clement, como resultado de suas pesquisas, publicaram estudo científico desvendando a composição (e o encanto secreto) do lapis-lazuri.
    Esta pedra semi-preciosa era composta, afinal de contas, de sódio, sílica, alumínio e enxofre.
    Pigmento do lápis-lazuri

    Em novembro de 1824, a Sociedade para o Encorajamento da Industria Nacional, da França, ofereceu um prêmio de 6 mil francos para quem conseguisse um processo para reproduzir o material precioso de forma que não excedesse os 300 francos por quilo.
    O prêmio foi ganho quatro anos depois por J.B.Guimet de Toulouse com o seu processo de criação do pigmento,
    Quase de forma simultânea e bastante independente, outros cientístas também chegaram a solução, que envolvia sempre o processo de aquecimento em fornos durante várias horas.
    O interessante é que se variando o processo se obteve (e obtem até hoje) diferentes cores e tonalidades passando pelo violeta, vermelho e rosa.
    Diferentes tons e cores resultantes do processo de criação do azul ultramar
    Mais um sub-produto foi obtido com variações no processo, por Kottig na cidade de Meissen em 1828, quando o cientista obteve o verde ultramar. Este pigmento, apesar de relatado, é ignorado hoje em dia.
    Por último, em 1879, R. de Forcrand obteve um amarelo, que afinal não se demonstrou útil, reagindo uma solução de nitrato de prata com pigmento de azul ultramar a 120ºC. Bem, mas valeu a tentativa, né?
    Espero que você tenha apreciado esta voltinha pela história do azul (violeta, rosa, vermelho, verde) ultramar.
    Inté

    Obs: Eu usei para o preparo desta postagem os livros "Painting Materials - A short Encyclopaedia" de Rutherford J. Gettens e o"Dictionnaire des matériaux du peintre", de François Perego.

    sexta-feira, 4 de abril de 2014

    Revolução no Mercado de Arte nos EUA

    É natural que as pinturas do século XX tendam a ter uma cotação mais alta, mas, em se tratando de Impressionismo Realista, aparentemente em tão pouca conta até há poucos anos, surpreendem os valores alcançados em leilão recente na Galeria Freeman´s, nos EUA.
    Os preços superaram as melhores espectativas, tanto para europeus quanto para impressionistas americanos.
    O leilão na Freeman´s foi montado para 18 pintores, com uma resposta inesperada, onde todas as obras ofertadas foram vendidas.
    Cobre e Porcelana - Emil Carlsen - OST - 1928

    Surpresas aconteceram, por exemplo, com a natureza morta de Emil Carlsen “Cobre e Porcelana”, que tinha uma expectativa de valor máximo de venda de 150 mil dólares e no entanto atingiu a marca fenomenal de 386.500 dólares.
    Beyond - Jonas Lie - OST - 1919

    Outros pintores ultrapassaram em muito a expectativa, como Jonas Lie e sua marinha “Beyond”, que tinha uma avaliação de preço máximo até 30 mil dólares e conseguiu o preço de venda de 146 mil.
    A obra de George Loltus Noye, “Joyous Island”, tinha uma cotação máxima de 15 mil dólares, mas no entanto explodiu, tendo sido vendida por dez vezes o valor esperado, com o martelo batido em 122 mil e quinhentos dólares.
    Joyous Island, George Loltus Noye, OST, 1920

    Os espantosos resultados se sucederam no leilão, demonstrando uma virada que chega ao mercado de arte.
    Há que se notar que as grandes cotações também estão acontecendo com os impressionistas contemporâneos, que já conseguem vender suas obras por valores antes não imaginados.
    Agora em abril acontece em Monterey, Califórnia, uma convenção de Plein Air (pintura ao ar livre) para onde convergem milhares de praticantes em variados graus de proficiência, assim como colecionadores de todos os calibres, de olho no valor presente de impressionistas mais conhecidos, e no valor potencial de novos talentos que começam a se mostrar no mercado de arte.

    É claro que os valores não são tão vistosos quanto os de pintores já falecidos, isto sem contar com exceções como Richard Schmid, que vende suas obras por valores entre 150 e 300 mil dólares e estão vivos e bem, obrigado...

    Informações obtidas a partir de Fineartconnoisseur.com.

    sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

    Giuseppe Abbati, impressionista italiano

    Por aqui, conhecemos os impressionistas franceses do século XIX e mais modernamente os americanos, que mostram o seu trabalho na internet.
    O impressionismo, no entanto, grassou em outros países, principalmente Russia e Itália.
    Diversos pintores se agruparam na Itália na segunda metade do século XIX e começaram a trocar idéias e a pintar juntos. Destes pintores, um que apesar de sua vida atribulada e trágica conseguiu produzir belas obras foi Giuseppe Abbati.
    Ponte Alle Grazie em Florence

    Abbati nasceu em Nápoles, e iniciou ainda cedo seu treinamento em pintura com seu próprio irmão, Vincenzo. Ele participou da campanha de Garibaldi em 1860, quando perdeu seu olho direito na Batalha de Capua.
    Costa com bois pastando

    Retornando da guerra, se mudou para Florença, onde, no Café Michelângelo,conheceu Giovanni Fattori, Sivestro Lega, e o resto dos artistas que mais tarde vieram a compor o grupo Macchiaioli.
    Suas primeiras pinturas eram interiores, mas ele logo se viu atraido pela pintura ao ar livre.
    Sua atividade como pintor foi interrompida novamente durante 1866 quando, mesmo cego de um olho, ele se alistou novamente para a Terceira Guerra de Independência, quando ele foi capturado pelos Austriacos e mantido preso na Croácia.
    O Rio Arno na região de Casaccia

    Retornando à vida civil com o final da guerra no final do ano, ele se mudou para Castel Nuevo de la Misericordia e passou o último ano de sua vida pintando o interior da Itália.
    Abbati morreu aos 32 anos, após ter sido mordido por seu próprio cachorro, que o infectou com a raiva.

    sábado, 23 de novembro de 2013

    A guimba de Pollock


    Uma figura central do modernismo, o americano Jackson Pollock (1912-1956) teve influências dos muralistas mexicanos Orozco, Rivera e Siqueiros, e dos pintores modernistas europeus Picasso, Mondrian e Miro.
    Pollock desenvolveu o automatismo dos Surrealistas, numa maneira mais instintiva e pessoal que foi associada ao expressionismo abstrato americano.
    Com o tempo, ele desenvolveu uma técnica de gotejar, ou atirar tinta na tela com o pincel. Trabalhava com a tela no chão, e sua forma de pintar terminou sendo conhecida como “action painting”, ou pintura de ação, onde as imagens emergem durante a execução da pintura, muito mais do que como formas preconcebidas.
    Há alguns anos atrás, uma pintura de Jackson Pollock precisou ser restaurada em função de alguns trechos que estavam descascando. A enorme pintura, do tamanho de uma parede foi retirada e inspecionada.
    Nesta inspeção, os restauradores encontraram uma inesperada guimba de cigarro! O pior é que a guimba estava se soltando, e ameaçava cair do quadro, levando um trecho de pintura junto.
    O que fazer? Como é que se restaura uma guimba de cigarro? Pesquisando, terminaram descobrindo que a marca que Pollock fumava era Lucky Strike.
    Fico me perguntando quantos cigarros os restauradores tiveram que fumar até conseguir uma guimba igual...
    Convergência OST, 1952,  237 x 393 cm

    domingo, 18 de agosto de 2013

    Degas ou Gauguin?

    The Miliners - Edgar Degas - OST 59 x 72 cm
    Colhi esta imagem na coleção do J.P.Getty Museum, dentre as poucas imagens de Degas na coleção.
    Este trabalho me chamou a atenção pela distância das outras obras de Degas, com um registro muito mais sombrio de cores, e uma composição que me lembra Gauguin em sua fase da Bretanha, logo antes de se mudar para Arles.
    Assim, se me pegassem de sopetão, eu diria que esta obra era de Gauguin, e só depois, observando melhor os verdes no rosto da mulher mais iluminada e na sombra do pano amarelo, além do trato mais cuidadoso no mesmo rosto - e, é claro, a assinatura - veria que o quadro é mesmo de quem é.
    Ou será que o falsificador tentou imitar Gauguin, e na pressa de entregar a encomenda, assinou como Degas?

    sábado, 17 de agosto de 2013

    Acesso a obras de arte - Duas ótimas notícias

    After the Bath - Edgar Degas

    Hoje eu tive, por email, a segunda boa notícia sobre disponibilização de imagens de obras de arte. Mas indo por partes, vou começar pelo início.
    O Museu Metropolitan de New York tornou livre o acesso à coleção de livros de arte publicados por sua editora em formato eletrônico. São mais de trezentas e cinquenta obras em PDF, que você pode pesquisar e baixar aqui.
    E para a satisfação geral, o J. Paul Getty Museum acabou de tornar publico o acesso a mais de 4.000 imagens em alta resolução de sua coleção. Pesquise as imagens aqui.
    No caso do Metropolitan baixei algumas preciosidades, como PDF's com os desenhos de Leonardo da Vinci, Obras sobre o impressionismo americano, desenhos do Daumier, e mais um monte de livros que provavelmente vou demorar algum tempo para aprecia-los.
    No Getty, pesquisei por Monet, não vi nada de muito diferente, mas procurando por Degas, encontrei desenhos que não conhecia, e fotografias, arte a que ele se dedicou já em uma fase tardia.
    Aproveitem!
    Leia a notícia original (Getty). Leia aqui a do Metropolitan.

    quarta-feira, 24 de julho de 2013

    O Grupo Santa Helena 1933/1944


    Paisagem, Aldo Bonadei, OST, 49 x 34cm

    Este grupo foi provavelmente o único grupo de pintores na história do Brasil formado por proletários o que distoava completamente das elites que compunham movimentos como o da Semana de 22. Provavelmente por isso o grupo é tão pouco conhecido. 
    Mas vamos a sua história.
    Em 1933 um grupo de pintores de parede e decoradores se juntavam nas escadarias da Catedral, na Praça da Sé, aguardando clientes para seus serviços, que sabiam que ali os encontrariam.
    Eram em sua maioria de origem italiana, e dentre estes trabalhadores estavam Mario Zanini, Paschoal Graciano, e Francisco Rebolo Gonçalves.
    Rebolo, além de freqüentar este local, também dispunha de um escritório para contratação de serviços de decoração no Ed. Scafuto, na rua 3 de dezembro.
    O grupo começa em verdade a se formar, quando Rebolo muda o seu escritório para o Ed. Sta Helena na mesma Praça da Sé. Zanini passa a dividir o aluguel com Rebolo, e logo se juntam ao grupo os pintores Aldo Bonadei, Clóvis Graciano, Fúlvio Pennacchi e Manoel Martins.
    Alfredo Volpi se junta ao grupo, assim como Takaoka, Ottone Zorlini e alguns outros que vieram a formar o Grupo Santa Helena.
    Os artistas, além de formarem uma cooperativa informal para os seus trabalhos de pintura e decoração, costumavam freqüentar a Sociedade Paulista de Belas Artes em seus cursos noturnos de modelo vivo e, aos domingos, sair para praticar a pintura ao ar livre.
    A convivência e a igualdade de origens cria uma afinidade entre estes jovens da classe trabalhadora, criando um espírito de equipe, de apoio, troca de idéias, e de coleguismo, fundamental para a formação do grupo.
    Este grupo se mantém com alguma coesão até o meio da década de quarenta, quando, tal como todos os movimentos, os componentes começam a tomar, cada um, o seu caminho.



    sábado, 20 de julho de 2013

    Modo esperto de mostrar sua arte

    Peter Rettegi
    Long Island, An Impressionist's View
    eBook, Amazon.com, US $0.99

    Brian Sherwin em artigo no newsletter Fine Art Reviews de hoje, 20 de julho de 2013, comenta a atitude de grupos como Der Blauer Reitter e Die Brücke, ambos alemães e expressionistas do início do século XX, que se utilizaram de uma divulgação de guerrilha, com os recursos da época.
    Eles produziam livretos improvisados que distribuiam em suas exposições e em ocasiões de interesse para mostrar sua filosofia e sua arte.
    Lendo este artigo lembrei-me que havia adquirido descuidadamente dois eBooks sobre a pintura em Long Island, que é uma região onde o impressionismo americano está bastante atuante.
    Bem, pensei, são apenas 99 cents, e comprei os dois livros.
    Examinando a minha compra, observei o meu engano. Tinha comprado um catálogo, dividido em duas partes do pintor Peter Rettegi, e não o que originalmente pretendia.
    Um estágio de frustração, e depois admiração pela estratégia do artista.
    O trabalho deste pintor não me desperta maior atenção, e pode ser considerado em alguns momentos até como amador. Mas o catálogo está bem feito (se não considerarmos a capa horrível), com um texto de suporte para cada uma das pinturas registradas.
    O custo deve ter sido mínimo, ou nenhum.
    E considerando que qualquer artista pode publicar seus catálogos desde a Amazon até na Apple Store, passando pela Saraiva, Cultura, e por aí vai, por que não se utilizar do recurso?
    p.s. E quanto à minha avaliação do livro/catálogo, uma estrela.