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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Corredeiras do Mumbaça, intenção ou intuição?

Corredeiras do Mumbaça - OST - 60 x 120cm
Pra dizer a verdade, eu me esqueci de perguntar a ele. Mas José Rosário em sua magnífica obra consegue levar o nosso olhar exatamente para o ponto de interesse, que é, em médio plano, o trecho em que uma cascatinha se forma ao passar teimosa entre duas pedras.
Pois intuição ou planejamento, o olhar do fruidor que deveria entrar no quadro pelo canto inferior e percorrê-lo placidamente até o remanso acima da corredeira - veja esquema abaixo - não funciona exatamente assim:
O olhar entra normalmente pelo canto inferior a esquerda, e deveria se
encaminhar, em uma sequência natural, para o canto superior direito onde
se encontra o remanso.
Pois não é isto o que a composição reserva ao apreciador.Veja como a obra é toda desenvolvida obedecendo a verticais e horizontais que se cruzam diagonalmente.
Veja como a obra é toda desenvolvida obedecendo a verticais
 e horizontais que se cruzam diagonalmente.
E o que acontece é que o olhar é aprisionado no encontro de duas dessas diagonais que se entrecruzam, exatamente em um ponto onde a tensão é maximizada pelo artista com um contraste entre a espuma da pequena cascata e o negror da pedra ensombrecida.

Muito bom, não é?
Vale visitar o blog do José Rosário, uma verdadeira enciclopédia de pintores paisagistas, brasileiros e portugueses.



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Manhã junto ao rio Gorge - Obra de arte do dia

Keith Bond
"Morning in the Gorge"
Óleo sobre canvas sobre painel, 8 x 10"

Esta obra, iniciada e terminada no local e pelo que entendi, alla prima, demonstra bem duas coisas importantes na pintura.
A primeira é a composição em "S"(veja Edgar Payne), que faz o olhar do apreciador atravessar o quadro da esquerda para a direita, e o inverso, até que seu olhar descanse no horizonte longínquo.
A segunda observação se refere ao que chamamos de "Perspectiva Espacial", que leva o pintor a adotar tons mais frios conforme o motivo se afasta, além da dissolução de detalhes implicada pela distância.
Vale a pena dar um olhada nas obras de Keith Bond, executadas no local, ou como a gente diz no linguajar dos pintores, en plein air.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Sergei Bongart


Bongart faz parte, apesar de sua origem russa, da corrente norte-americana de coloristas. Fui apresentado a ele hoje, por estas coisas da internet.
Eu estava procurando mais material de Camille Przewodek, colorista contemporânea da escola de Cape Cod (foi aluna de Hensche), quando vi uma apresentação dela junto com um discípulo de Sergei Bongart.
Corri atrás, e descobri que ele foi um professor tão importante quanto Hensche, que por sua vez foi discípulo de Charles W. Hawthorne, pai da escola de Cape Cod.
Encontrei um texto seu em http://www.nasonart.com/writing/bongartlessons.html, espantosamente suscinto e sábio. Para quem lê inglês, vale a pena. Para quem não lê, vale até experimentar o tradutor do Google.

sábado, 3 de agosto de 2013

Porto Lido - Obra de arte do dia

Skip Whitcomb
"Lido Harbor"
Oleo sobre canvas, 8 x 10 polegadas

Este lindo trabalho de Whitcomb é um exemplo do formato de composição "Balança Invertida" (Inverted Steelyard no original de Edgar Payne), onde o equilíbrio das duas massas principais se dá na parte superior da tela.
Vejam abaixo o esquema da composição.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Manhã em Arapaho - Obra de arte do dia

"Morning at Arapaho"
Óleo, 9 x 12 polegadas

Este trabalho é uma excelente mostra de perspectiva espacial. Observem o segundo plano, do outro lado da água, como é retratado com cores mais frias e menos distintas. Os valores (claro/escuro) estão muito mais próximos entre si, havendo também a redução da intensidade das cores (croma), com a sua aproximação do cinzento.
Comparem com o primeiro plano. Este está muito mais definido, com cores mais quentes e intensas.
Esta diferenciação entre os planos é conhecida como Perspectiva Espacial, e não tem nada a ver com a perspectiva geométrica - que continua necessária - a que estamos acostumados.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Vista de Point Lobos - Obra de arte do dia

"Point Lobos", oleo, 12" x 16"

De vez em quando a gente se depara com uma composição tão bem feita que se pergunta logo se o artista se utilizou da técnica de Notan em seu planejamento.
Não sei se foi o caso, mas fiz um processo de engenharia reversa, e vejam só:
A separação de valores é clara e a redução da obra à expressão mais simples não tira a sua clareza e expressividade.



terça-feira, 23 de julho de 2013

Trecho do Paraíso - Obra de arte do dia

Vinícius Fernandes da Silva
Trecho do Paraíso
Óleo sobre canvas, 30 x 40 cm

Esta obra do Vinícius da Silva me surpreende por suas características quase que experimentais. Audaciosa a sua decisão de adotar um ponto de vista raso, quase que ao plano do solo, ao mesmo tempo em que provoca a sensação de que o observador levita, quando trás o primeiro plano até quase os seus pés.
Composição em "S" (veja Composition of Outdoor Painting, Edgar Payne), leva o observador a entrar pelo quarto inferior esquerdo da obra, levando o seu olhar até a porção média a direita, trazendo-o novamente para a esquerda, e finalmente levando-o para um escape no canto superior à direita.
Isto no entanto não acontece, graças aos valores mais altos e aos arbustos implantados em sua porção central, que nos trazem de volta ao miolo da pintura.
Parabéns ao artista.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Obra de arte do dia

Nonchaloir (Indiferença)
John Singer Sargent
Oil on Canvas, 48 x 40 polegadas

Esta belíssima obra de arte de John Singer Sargent é um exemplo de boa composição, onde os olhos do observador são levados naturalmente para um único ponto focal.
Isto, como disse, acontece naturalmente, de forma instintiva. Mas como é que funciona?
Sargent não segue a distribuição dos terços, onde o pintor coloca o ponto de interesse na intersecção entre duas terças do quadro.
Veja abaixo:
Como pode ser observado, o ponto focal está afastado da intersecção. Portanto, não foi desta forma que Sargent trabalhou.
Outra forma de se analizar a questão seria a suposição de que o observador sempre aprecia uma obra de arte da esquerda para a direita e de cima para baixo. Isto nos levaria ao caminho mostrado no esquema a seguir, onde o olhar é conduzido diretamente para o ponto focal, e somente depois caminha pelo restante da composição.
Alguns autores, no entanto, afirmam que o observador tende a iniciar a apreciação da obra de arte por seu lado inferior a esquerda. Este outro ponto de vista nos leva a aprofundar a nossa análise.
Vamos observar o Notan desta obra.
A expressão da obra Nonchaloir somente em dois valores (preto e branco) nos mostra imediatamente como a composição de John Singer Sargent funcionou.
Três formas circulares são sugeridas ao olhar, sendo a maior a grande saia, depois a manta que envolve o busto e os braços da modelo, e finalmente a sua cabeça. 
Os círculos são adjacentes com o olhar sendo conduzido insistentemente para a cabeça da modelo.
Ao mesmo tempo em que sua cabeça é envolta por sua cabeleira, uma região de baixos valores, ela esta repousada na borda do sofá, próxima a uma faixa de valores muito mais altos.
Não há como o olhar do observador escapar.
Acho que estas observações são o bastante. No que se refere a análise eu ressalto a importância do Notan, técnica para composição tão pouco conhecida.
Dúvidas? Coloque um comentário, que eu responderei.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Obra de arte do dia

Terry Miura
Reclining on Blue
11 x 14 polegadas, oleo sobre linho sobre painel.

Para iniciar, a técnica e a habilidade de Terry Miura com certeza lhe permitiram criar esta obra em menos tempo do que poderiamos imaginar. Provavelmente é uma obra alla prima, iniciada e terminada em uma só sessão.
Mas o que eu gostaria de comentar é a questão dos planos, aqui considerados o primeiro plano, o plano intermediário e o plano de fundo, que são, respectivamente a modelo, o sofá e a parede.
Observem que a modelo foi retratada com cores quentes, contra o sofá pintado em tons azuis, o que faz a modelo ser realçada.
O que a gente observa então é que elementos retratados em tons quentes "pulam" para a frente da pintura. Este conhecimento é uma arma do pintor experiente, mas pode ser uma atrapalhação nas mãos de quem ainda está começando.
Testando a nossa regra e olhando para a parede ao fundo, dá para ver que ela está pintada em tons quentes (tal como a sombra no canto inferior a direita). Então por que os dois não se ressaltam?
Porque ambos foram pintados com valores mais baixos, o que faz com que, mesmo com cores quentes, sejam jogados para trás.
Este é um conhecimento que vale a pena registrar.
Dúvidas? Poste um comentário que eu respondo, com certeza!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Obra de arte do dia

José Salvaggio
Rio Isle Strasbourg
Óleo sobre painel, 26 x 35 cm

Esta é uma pintura Alla Prima, ou seja, pintada de uma só vez. Observem a despreocupação das pinceladas.
O ponto focal está na intersecção da terça inferior, como manda a boa técnica. Poderia ser em qualquer uma das intersecções, quando você divide o quadro horizontal e verticalmente em três pedaços iguais.
Outro ponto a ser observado é a composição radial, ou como Edgar Payne a denominou, Irradiating Line composition, em que diagonais atravessam o quadro levando o olhar do observador para o ponto focal.