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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O cyan, o magenta e o amarelo primário

Uma das receitas para o iniciante na pintura é começar trabalhando somente com as cores primárias, ou seja, o amarelo, vermelho e azul. Mas que amarelo, vermelho e azul? Amarelo de cádmio, amarelo indiano? Vermelho de cádmio, vermelho alizarim? Azul ftalo, ultramar ou de cobalto? Ou será turquesa?
Bem, a tecnologia pode nos ajudar nesta história: basta pensar nos cartuchos de impressora que vem com versões destas cores, que são o cyan, o magenta e o amarelo primário.
Nas impressoras vem também o preto primário, que é o carvão, e o branco é representado simplesmente pela ausência de cor.
Trabalhando com uma palheta básica caracterizada por estas cores, só temos que acrescentar o branco, que pode ser o de titânio ou o de zinco, sendo o primeiro mais efetivo nas misturas, enquanto que o segundo mantem mais a transparência.
Bem, estou fugindo do assunto. Aqui trata-se de criar uma paleta básica que possamos utilizar para pintar, usando as três cores básicas e sem pensar nem no preto ou no branco.
Amarelo, magenta e cyan. As irregularidades observadas nas
lavadas são observadas graças ao papel de aquarela
Um recurso bastante utilizado pelos pintores para conhecer o lado para qual a tinta tende (quente ou fria) é a mistura com um pouco de branco, conforme podemos ver abaixo:
Na fileira de baixo, cada uma das cores com um pouco
de branco adicionado.
Como se pode observar, quando cada uma delas é "aberta" com um pouco de branco, dá para conhecer melhor a sua natureza. Assim:
  • O cyan (azul) tende para o quente,
  • O amarelo se mantém também dentro de sua natureza quente e
  • O magenta (vermelho), quando aberto, é uma cor que tende para um tom mais frio.
Vejamos abaixo como fica a obtenção das cores secundárias trabalhando com as primárias escolhidas:
A mistura do Amarelo com o Cyan nos trás um verde bastante parecido com o Verde Esmeralda, que pode ser clareado ou escurecido conforme alteramos a composição da mistura.
Quando misturamos o magenta com o amarelo, obtemos o laranja, que pode ser mais puxado para o laranja claro se usado mais amarelo, ou correr para um vermelho de cádmio claro se colocado mais magenta.
Finalmente, quando misturamos o cyan com o magenta, obtemos um violeta profundo, quase negro. Como o resultado fica muito escuro, é comum acrescentar um pouco de branco para abrir o violeta.
Duas dicas:
  • Comece as misturas sempre pela cor mais clara, que no nosso caso é o amarelo. Das três cores, o cyan tem o maior poder de tingimento, seguido pelo magenta. Assim, seja sempre econômico quando for utilizar o magenta numa mistura.
  • Você pode obter o preto cromático simplesmente misturando as três cores. Você poderá obter pretos mais quentes ou mais frios dependendo de sua receita.
Que tal tentar agora obter um amarelo ocre, ou um azul ultramar usando estas cores básicas? Você consegue, eu garanto!









domingo, 2 de novembro de 2014

Sem o azul da paisagem

Já falamos muito das paletas reduzidas, sendo a mais famosa delas a Paleta de Zorn que, para quem não se lembra, é composta meramente de preto, branco, amarelo ocre e vermelho.
A utilização desta técnica, onde o azul não entra, sendo substituído com eficiência pelo cinza, não é comum entre os pintores de paisagem contemporâneos que preferem a amplitude de uma paleta com os azuis, amarelos de diversos tipos, violetas etc.
Há no entanto um pintor que vai para a paisagem e despreza o azul em sua paleta, obtendo efeitos formidáveis somente com o vermelho, o amarelo e o preto (ele sempre diz que o branco não é cor).
Ernandes mostra em baixo as cores que utilizou.
Trata-se de Ernandes B.Silva, pintor de Piracicaba, e amante do Plein Air, que é a modalidade de pintura em que o artista trabalha na própria natureza.

Notem a beleza dos verdes que são obtidos com a mistura do amarelo com o negro. Ernandes tem uma predileção pelo amarelo indiano da Lukas, o que confere aos verdes extrema vivacidade.
Um exercício que o professor Ernandes sugere é a mistura em diversas intensidades do amarelo com o preto. Ele preconiza que se utilize diversos amarelos desde o mais terroso como o ocre, até os mais luminosos como é o amarelo de cádmio claro, ou o amarelo limão.
Por último, veja-se a obra abaixo:
Vejam a beleza deste azul quase violeta das águas, que em verdade é inexistente, não passando de um cinzento, que se "azula", na adjacência de cores mais quentes, como o laranja avermelhado do matagal.
Inté!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Os segredos do cinza II

Agora que já preparamos o nosso preto tonal, e misturamos alguns cinzas diferentes, estamos preparados para avançar mais um passo no domínio das cores que é, no fundo, o que estamos fazendo.
Vamos preparar novamente um preto tonal, nos utilizando daquela mistura de ultramar, carmim e amarelo de cádmio.
Neste momento, vale uma observação - Não é necessário que trabalhemos em acrílico. Quem já está acostumado com o óleo e aprecia a calma no momento de preparar a sua mistura, prossiga deste jeito, que ao final, talvez demorando um pouquinho mais para secar, vai dar tudo no mesmo.
Vamos nos utilizar de uma escala de cinza menor do que a padrão (de nove valores). Uma escala somente com cinco valores será suficiente para o nosso exercício. Você pode baixar a escala aqui.
Escala de cinco valores de cinza
Com os cinzas preparados de acordo com a escala acima, vamos fazer o nosso primeiro exercício de valores, que nada mais é do que desprezar as cores de uma imagem e criar uma obra se utilizando somente de seus valores em preto e branco.
Fotografia tirada no entôrno de Brasília
Vamos mudar um pouco esta foto, tirando as suas cores, o que nos dará idéia do trabalho a ser realizado:
Aqui eu já marquei o que seria o meu ponto preferencial de interesse, o
ponto para onde gostaria de trazer a atenção das pessoas
Para evitar um fundo branco e sem graça na tela, dei uma aguada de amarelo-ocre, o que fará com que ele transpareça em alguns pontos da pintura.
E agora, ao trabalho! Vejam o que consegui como resultado final:
Segredos do Cinza AST 22,5 x 30,0 cm
Vamos lá?

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Os segredos do cinza I

O cinza é a cor sem a cor. Simples, não?
Sendo menos hermético, quando discutimos a harmonia de cores (veja as postagens clicando aqui) vimos que dentre as suas três características, uma era a intensidade.
Assim, podemos aumentar ou diminuir a intensidade de uma cor, saindo de sua intensidade normal para uma que identificaríamos como "estourada" ou, por outro lado, rebaixando a intensidade até que a cor se torne em um cinza, ou algo muito próximo disto. Na roda das cores de Munsell (primeira postagem de harmonia) seria o círculo central, ou as porções mais próximas dele.
O pintor que já possui maestria sabe que oscilando a intensidade das cores aumenta a chance de harmonizá-las, e uma das técnicas utilizadas para isto é a mistura com maiores ou menores doses de cinza.
"Mas que cinza? Será que você está falando de adicionar preto ao branco?"
Aqui está o nosso primeiro segredo: Não vamos nos utilizar de nenhum dos pretos que estão  disponíveis no mercado.
Vamos preparar o nosso, a partir das cores primárias amarelo, azul e vermelho. A esta nova cor, chamamos de preto tonal.
O vermelho, azul e amarelo devem ser apropriados para esta mistura, e constar da paleta que pretendemos utilizar em nosso trabalho cotidiano.
Observação: Cabe aqui assinalar que o preto tonal pode ser obtido de outras formas, como por exemplo a mistura do alizarim crinsom com o verde veridian, e outras tantas receitas, mas para facilidade de trabalho, vamos continuar com a solução da mistura das três primárias.
Assim, vamos tomar duas providências:
Amarelo e vermelho de cádmio, azul ultramar e branco titâneo


  1. Utilizar tinta de somente um fabricante, que no caso vai ser a Corfix acrílica, série Art;
  2. Usar as cores azul ultramar, vermelho de cádmio médio e amarelo de cádmio médio, Posteriormente, para a criação dos cinzas, nos utilizaremos também do branco de titâneo.
Comecemos por colocar um pouco de cada uma das cores na paleta. Com a experiência, você vai aprender que o azul é mais utilizado que o vermelho, que por sua vez, é mais utilizado que o amarelo na construção do preto tonal.
Use uma espátula, que pode ser facilmente limpa e evita uma contaminação indesejada das tintas puras, e comece a fazer uma mistura das cores.
Dica: Antes de começar o trabalho coloque algumas gotas do retardador de secagem da Corfix em cima de cada montinho de cor, e misture.
Quando for mixar as três cores, trabalhe aos poucos, de forma a prevenir eventuais desvios para o violeta ou para o verde.
Pronto, conseguimos o nosso Preto Tonal!
Construção do preto tonal
Com certeza não vai ter a negritude de um preto de marte, mas tem em si as nossas três primárias, um fator de integração na hora de fazer as misturas. Agora, é só criar quantos tons de cinza desejarmos, misturando doses diferentes do branco de titâneo com o nosso preto.
Cinzas a partir do preto tonal
Na próxima parte, veremos como esquentar e esfriar estes cinzas, deixando-os preparados para que, com pequenas adições de cor pura, possamos criar as nossas obras.
Uma observação final é que o pintor que se utiliza de óleo tem mais facilidade com estas pré-misturas, já que não tendem a secar rapidamente. No entanto, os retardadores são uma boa solução para o problema.


domingo, 17 de agosto de 2014

Harmonia das cores - Parte V - Final


Só para lembrar, nós começamos escolhendo uma gama de cores dentro da roda de Munsell, com o uso de uma máscara, determinamos uma escala de valores claro-escuro, também de acordo com Munsell, que vai de 1 (o mas escuro) até 9 (cor branca), e montamos, ainda sem usar tinta propriamente dita, a escala do que deveriam ser as quatro cores escolhidas.
Agora, é hora de trabalhar com as tintas e a palheta, para encontrar as vinte misturas necessárias:

As cores base para a mistura foram o violeta, azul ftalo, verde veridian, amarelo cadmio claro, amarelo ocre, branco de titânio e preto de marfim.
Testamos as cores numa tabela que construimos de acordo com os valores dantes determinados:
E, para curtir este trabalho todo, fizemos um pequeno estudo usando as misturas preparadas.
Pronto! Espero que o sistema de Munsell seja de bom proveito para você criar quadros perfeitamente harmonizados em suas cores. Além disso, estas informações servem para qualquer finalidade de design, patch-work, escolha de roupas, qualquer coisa que envolva combinação de cores.
Inté!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Harmonia das Cores - Parte IV Utilização da Escala de Valores

Para ver o post anterior, clique aqui.
Um pouquinho de considerações, ainda, antes de chegarmos lá. O que vamos fazer será uma tabela com as nossas quatro cores, de 4 cores por 6 valores, ou seja, variando o valor de cada cor em seis faixas. Com estas 24 misturas, estaremos aptos então a pintar qualquer obra com cores harmônicas. Pois vamos lá!
Lembra que conversamos sobre a divisão proposta por Munsell de valor (do claro ao escuro), numa tabela indo de 1 - mais escuro - até 9 - branco total? No entanto, para nosso trabalho, não vamos precisar disto, de forma que "aparei" a escala de Munsell em um valor para cima, e dois em seu extremo mais escuro.
Escala completa de Munsell e a que vamos usar

Isto porque é raro nos utilizarmos de valores tão extremos, como o 1, 2 ou o 9. Considere-os como notas super-graves ou super-agudas, usadas tão somente por quem já domina muito bem o seu instrumento.
Agora, começam as questões. As nossas cores (as que selecionamos aplicando a máscara, no post anterior) tem qual valor?
Vamos ver? Comecemos pelo nosso azul, que fomos colher lá na região do azul-violeta:
Azul com a escala de valores

Observem que o azul é 6 na escala de valores de Munsell. Alguma dúvida? Então veja esta mesma imagem em preto e branco:
Mesma imagem em P&B

Compare os valores para o amarelo:
Como você pode ver, o amarelo mantém a constância de valor na escala (6).
Veja o vermelho relativo (que em verdade está muito mais para o violeta em função da aplicação da máscara).
De novo, temos o valor 6. Tente imaginar a escala de valores sendo movida para cima e para baixo, de forma que o cinzento 7, ou o 5, fiquem junto à mancha colorida. Dá para ver que o valor 6 é o mais apropriado, não?
Por último, o verde:
Sem surpresas. O verde também se mantém no 6 na escala de valores. Qual a conclusão disto?
É a de que apesar de algumas cores por serem frias, parecem mais escuras, em função do nosso método de construção, permanecerão todas com o mesmo valor.
Bem, fizemos tudo isto para chegar ao nosso próximo passo, que é mistura de cores para a construção de uma tabela de cor x valor, com as quatro cores e os 6 degraus de nossa escala de valores, que vai do 3 (mais escuro) até o 8, que é um cinza clarinho.
Inté.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Harmonia de Cores - Parte III - Gamut Mask

Para ver a postagem anterior, clique aqui.
Com as propriedades das cores já examinadas, podemos atravessar o portal e entrar na festa.
É, e quem nos legou as ferramentas que vamos usar, foram James Gurney, principalmente, no seu livro Color and Light - A guide for the Realist Painter, Richard Robson em sua apostila Color Harmony, e Barry John Raybould, em sua Virtual Art Academy.
A ferramenta é simples, e advem do princípio de que numa pintura onde as cores estão balanceadas, sempre teremos uma cor dominamente, sendo todas as outras rebaixadas.
Para isto, utilizamos máscaras, que são aplicadas sobre as rodas de cor, limitando a amplitude da intensidade das cores que vamos usar. Vejam o exemplo abaixo:
Gamut Mask, ou Máscara de Amplitude.
Esta máscara limitou o espectro de cores possíveis dentro da paleta a ser utilizada, criando novas cores primárias "relativas", e reduzindo a intensidade das cores.
Para fazer a demonstração, me utilizei de uma roda de cores que elaborei de acordo com os princípios de Munsell, que limita a roda a 10 cores, em vez das 12 tradicionais.
Outras formas podem ser utilizadas:
Triângulo irregular
Com a máscara acima, temos um primário dominante que é o vermelho, e duas cores primárias que poderíamos chamar de recessivas, com a sua cor fortemente rebaixada. Observe-se que aqui conseguimos uma máscara para trabalhos com complementares, tendo, como foi dito antes o vermelho como dominante; um verde amarelado substituindo o amarelo e um cinzento azulado no papel do azul. Caso você queira obter mais uma cor para as suas misturas, poderia usar o laranja rebaixado que aparece como cor secundaria, ou, se quiser tons mais frios, o cinza-violeta, à esquerda do triângulo.
Triângulo excentrico
No caso acima, onde usamos uma máscara excêntrica, temos o amarelo como primária dominante, o verde já rebaixado, um cinza-violeta no papelo do vermelho, e um cinza-esverdeado funcionando como azul.
Para os nossos experimentos, vou escolher uma máscara como a debaixo:
Cores a serem utilizadas em nossa paleta
Esta máscara nos fornece o seguinte conjunto de cores:
Verde, amarelo, vermelho e azul relativos
No próximo post, vamos criar nossas cores, com valores (claro e escuro, lembra?) acima e abaixo das cores determinadas pelos limites dentro da máscara.
Inté!
Para ver a Parte IV, clique aqui.

sábado, 9 de agosto de 2014

Harmonia de Cores - Parte II

As Propriedades da Cor

Para ver a Parte I, clique aqui:
Um pouco de paciência. Antes de entrarmos na prática, que espero aconteça na próxima postagem, vamos ter que continuar um pouco com a base teórica. Você vai ver que é interessante.
Como tinha dito na parte I, Munsell propôs que as cores teriam três propriedades:
Matiz, valor e intensidade.
Examinemos a questão do matiz. Para Munsell, as cores se dividiam em cinco primárias, violeta, azul, vermelho, amarelo e verde, e as cinco secundárias que eram determinadas pela mistura em sequência destas cores.
A Roda de Munsell, já dentro de seu esquema de intensidade e valorres
Munsel propôs a seguinte classificação:
Classificação das cores segundo Munsell
Para ser breve, Munsell optou utilizar um códio começado por um número seguido de uma ou duas letras, dependendo se era primária ou secundária, e completando este código, com valor (claro/escuro) e intensidade da cor.
Vamos começar pelo matiz (primeiro numerinho seguido das letras).
Por exemplo, passando do vermelho até o amarelo, a gente vai começar por 5R (r de red), passar pelo 10YR (yr de yellow/red, ou laranja em bom português), e indo finalmente para 5Y, que seria o amarelo puro. Veja a figura abaixo, que exemplifica:

Aplicação do código de Munsell quanto à Matiz de cores

Além do Matiz, Munsell classifica a cor por valor e intensidade, na forma V/I. Vamos tratar, antes de mais nada, do valor.
Valor é a característica da cor que a leva do mais claro ao mais escuro. Por exemplo, considere, o amarelo e o violeta. Qual dos dois é o mais escuro, ou seja, tem o valor mais baixo? Acho que você vai concordar que é o violeta, que na escala de valores escuro/claro (1 até 9), está entre2 e 3. O amarelo está muito mais próximo do 7 ou 8, com certeza. Dá para visualizar?
Se tirarmos completamente a intensidade das cores, permanecendo com uma imagem em preto e branco, teremos uma escala de valores parecida com a de baixo, construida por mim para o meu trabalho:
Escala de cinzas (valores)
Para melhor exemplificar, veja as variações do vermelho abaixo, dentro das possibilidades de escurece-lo ou torná-lo mais claro (alteração de valor - quantidade de luz):
Fomos obrigados a utilizar um vermelho de intensidade média (vamos ver mais tarde a questão da intensidade), pois se utilizásemos o vermelho mais estourado, qualquer alteração de valor, implicaria também na alteração de sua matiz.
Se compararmos os vermelhos obtidos com a tabela de valores acima (de 1 a nove, vamos ver que o primeiro está próximo do valor 8, enquanto que o último está com o valor 3). Deu para entender?
Confuso?
Explicando mais uma vez, nós podemos, dentro de certos limites, tornar uma cor mais clara ou mais escura para atender nossas necessidades. Por exemplo, se a luz ambiente for muito baixa, não haverá sentido em usarmos o rosa clarinho da escala ao lado. Teremos que nos prender ao vermelho mais escuro. O que Munsell fez foi um sistema para classificar tudo isto, para não ficar nada no "aéreo".
Por último, no seu sistema de matiz, valor e intensidade, vamos tratar da Intensidade. A experiência da intensidade de uma cor pode ser vivida num monitor, quando carregamos ou descarregamos na saturação: Transformamos uma foto colorida, aos poucos, retirando a saturação em uma foto preto e branca. A esta qualidade da cor, com mais ou menos pigmentação, digamos assim, chamamos de intensidade da cor. Deu para entender? Vejam os dois exemplos abaixo, onde com um azul process  primeiramente, e depois com um vermelho de cádmio,  retiramos em seis passos toda a saturação da cor. Vejam:
Retirada de intensidade sem alteração de valor
Para encerrar, dois exemplos, também em azul e vermelho, com mudanças em intensidade e valor, retirados de uma tabela da internet:
Azul 5, com alterações em sua intensidade e valor
Vermelho 5, com alterações de intensidade e valor
Observem que a alteração na intensidade limita a posssibilidade da alteração nos valores. Com o vermelho estourado, não é possível mexer nem no valor nem na intensidade.Na próxima postagem, vamos estar entrando na prática. Inté.
Para ver a próxima parte clique aqui.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Harmonia de Cores - Parte I - Roda de Munsell

As vezes, a gente entra em encrenca sem nem se dar por isto. Pois foi assim:
Já há algum tempo venho cismando com encontrar métodos mais fáceis de harmonização de cores, de maneira a resolver na prática, sem grandes confusões ou uso de receitas pré-fabricadas a paleta de cores que vou usar em determinado instante.
Na minha pesquisa, encontrei dicas interessantes no material do Richard Robinson que tem excelente vídeos e alguns PDFs preciosos em cores; encontrei material também muito bom na Universidade Online do Barry John Raybould, e em origens diversas, como no livro "Color Harmony in your paintings" de Margaret Kessler, e na jóia de livro que é A Guide for the Realist Painter" de James Gurney, um dos melhores ilustradores do mundo, e que publicou este livro que indico para todo e qualquer um que queira entender de pintura.
Albert Henry Munsell
Mas por trás de todos estes mestres há um mestre maior ainda que foi  Albert Henry Munsell (January 6, 1958 - June 28, 1918) pintor americando, professor, pesquisador, e inventor do Sistema Munsell  de Classificação de Cores, até hoje imprescindível nas Ciências, na Agronomia, Design, Modas, e por aí vai.
Insatisfeito com a diversidade de designação das cores, onde a mesma cor poderia se conhecida como "azul polar" em uma parte do mundo e "gelo", em outra parte, Munsell propos um sistema onde cada cor poderia ser designada matemáticamente, podendo ser decodificada em qualquer continente, como exatamente "aquela" cor.
Munsel determinou que cada cor tinha três atributos:

  1. Matiz - que é a cor própriamente dita (azul, vermelho, amarelo, verde, etc.)
  2. Valor - que é a quantidade de luz (do claro ao escuro) que aquela cor reflete (divido por ele em 9 níveis, sendo 1 o mais escuro, e 9 o mais claro), e, por último,
  3. Intensidade - que é o nível de saturação da cor. Num monitor de televisão, a gente pode fazer esta experiência. Carregar ou retirar toda a saturação de uma determinada cor, deixando-a "estourada", ou retirando a sua vivacidade, até que ela se torne num tom de cinza.
A outra coisa que nos interessa aqui, é que em vez de considerar a existência de três cores primárias,, que viriam a determinar mais três secundárias, e por sua vez, mais seis terciarias, como é na roda de cores tradicional, Munsell propôs 5 primárias, mudando assim a organização das cores.
Assim, para Munsell (e para mim, que me tornei num adepto do sistema) as primárias são Violeta, Azul, Verde, Amarelo e Vermelho, sendo as secundárias a mistura destas cores. Vejam:

Insatisfeito com as palhetas que vi (inclusive a da Kessler, que a meu ver está
distorcida), pintei a de cima que veremos mais vezes pela frente.
Existem outras paletas, como a Yumrby, muito usada pelo pessoal de arte digital, porque incorpora o magenta e o cyan, mas que para mim tem tons de laranja demais, e é mais complicada do que a de Munsell com suas somente dez divisões.
Nas próximas postagens vamos examinar como se valer desta paleta e de máscaras de amplitude (prefiro usar o têrmo em inglês - gamut mask), coisa que aprendi com o James Gurney e o Richard Robinson. Novamente, o livro do James Gurney, A Guide for the Realist Painters é imperdível!
Inté.
Para ver a segunda parte da postagem, clique aqui.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

3 exercícios com paleta reduzida

Não há outra forma de pintar melhor do que pintar. E pintar mais. E continuar pintando.
Você pode fazer isto às cegas, ou com algum método, o que com certeza vai lhe trazer resultados mais rápidos.
Um deles, e tal como na música, é praticar escalas, fazendo seguidos exercícios com o mesmo tema. Como um bom exemplo, cito Cezane que dizia que você devia pintar as mesmas duas garrafas de tinta 28 vezes. No final, dizia ele, além de você ter melhorado muito, você terá vinte e oito obras diferentes, porque jamais uma ficará igual à outra.
Pois bem, a "escala" que gosto de praticar é a utilização da paleta restrita, onde com poucas cores você tenta obter o melhor resultado possível.
Desta vez, peguei uma foto de uma escarpa liberada para uso no Wiki (veja aqui), e produzi três estudos:
O primeiro, usando somente azul ultramarinho e branco, me aproveitando de velha dica dada pelo amigo e professor Ernandes.
Estudo em azul ultramarinho e branco
Na segunda, mudei a palheta, e usei amarelo ocre, branco e preto. Aproveitei-me da mistura de amarelhos com preto, para conseguir alguns tons de verde-petróleo que ficaram muito bons.
Falésia - Estudo em ocre, preto e branco
No terceiro e último exercício, usei paleta aprendida no Plein Air Studio, em aulas com o professor Alexandre Reider. Tratou-se meramente da substituição do preto na mistura pelo verde vessiê (pensei que era esse...) e alizarin crimson, que é um vermelho frio e transparente.
Recuperei lá o velho estudo feito no atelier do Reider e fiquei olhando. Depois daquilo, nunca mais tinha tentado aquela paleta novamente.
A primeira quebrada de cabeça foi quanto ao verde, que para mim, e era o que constava da paleta indicada para o meu estágio no Plein Air Studio, era o Vessiê. Mas qual o quê, com este verde era impossível obter o azul que aparecia milagrosamente na mistura com o alizarin.
Na prancha abaixo, você pode ver as minhas tentativas, sendo que na coluna de cima puxei mais para o alizarin, e embaixo para o verde vessiê.
Prancha II - Misturas com verde vessiê, alizarin e branco
Vi que daí não iria conseguir o misterioso azul, e botei o bestunto para funcionar.
Nada.
"Caramba" - pensei - "o vessiê tinha que funcionar". Essa era a mistura que eu considerava como a representativa da escola vinda desde Luis Pinto, onde tantos mineiros e paulistas beberam.
Quando fui para o estágio no Plein Air Studio, era o verde vessiê que estava na lista das tintas que eu tinha que levar. E aí, veio o clic.
Eu não tinha levado o vessiê. A Casa das Artes aqui em Brasília, não tinha. E eu levei o verde esmeralda em seu lugar. Tudo resolvido. Veja na prancha III abaixo a diferença entre o esmeralda (primeira linha) e o vessiê quando misturados com o alizarin e com porções cada vez aumentadas de branco.
Testes com esmeralda, vessiê e alizarin
Assim, afinal cheguei no azul escondido embaixo do verde e do alizarin. Nada mais que um cinzendo esfriado, que quando colocado junto de cores quentes, azula. Como não estava acostumado com a paleta proposta, fiz algumas misturas quentes, usando o verde, ocre e o alizarin (sempre com o branco como estabilizador), que mostro abaixo, na Prancha IV.
Prancha IV - Testes de cores quentes com a paleta reduzida
E, em fim, depois de tantos testes, o trabalho com a paleta de alizarin crimson, verde esmeralda, amarelo ocre e branco de titâneo:
Falésia em Popenguine, Senegal. Foto original de Kumar McMillan. Direitos
de uso de acordo com Creative Commons




sábado, 11 de janeiro de 2014

Pintando Rochas

Como uma primeira observação, este é um exercício para o iniciante que ainda está, sabiamente, se restringindo a uma palheta com as cores básicas. A intenção é de uma palheta equilibrada, nem quente, nem fria.

Se você entrar no Youtube, provavelmente vai encontrar um monte de vídeos ensinando a pintura de rochas. Todas elas em inglês, é verdade, mas em pintura importa mais o que se vê do que se ouve, não é verdade?
Mas tem gente, como o Richard Robinson que dão dicas mais precisas, e uma delas é justamente sobre a cor, sobre a mistura que a gente tem que fazer para obter uma cor aproximada das rochas, ou das pedras que se pretende pintar.
Antes de entrarmos na mistura propriamente, temos que nos lembrar da questão da perspectiva espacial, que torna as coisas que estão num plano mais longínquo (background) mais claras e indistintas do que as que estão na frente (foreground).
Veja abaixo as misturas que preparei, de acordo com a receita do Robinson para a cor das rochas. Na parte de cima está a sequência para a obtenção da parte sob a luz e sombra no foreground. Depois, a sequência é demonstrada para rochas pintadas à distância.
As cores utilizadas são:

  • AU - Azul Ultramarinho
  • VC - Vermelho de Cádmio
  • AC - Amarelo de Cádmio
  • BT - Branco de Titâneo
No caso de não dispor das cores exatas, não há grande problema. Utilize-se das mais aproximadas.
Veja como é simples a obtenção das misturas:
1. FOREGROUND (Primeiro Plano)
Mistura 1
Esta é uma mistura básica, que serve para a obtenção tanto da cor das rochas, quanto da vegetação. Trataremos da vegetação em outra postagem.
Então: M1 = 60%AU + 40%VC
Se você ler alto a fórmula a coisa vai parecer menos "matematiquês": A mistura Um é composta de sessenta por cento de azul ultramarinho e quarenta por cento de vermelho de cádmio. Viu?. Uma outra dica, é usar um acetato - muito comum em embalagens, ou que pode ser adquirido em lojas de material de pintura - para fazer um marcador. Farei uma postagem a seguir para explicar como fazer este marcador.
Mistura 2
A segunda mistura é para a representação das faces da rocha na sombra:
M2 = 30%M1 + 25%VC + 25%AC + 20%BT
Mistura 3
Representação da rocha em suas faces iluminadas.
M3 = 50%M2 + 20%AC + 30%BT
2. BACKGROUND (Plano de Fundo)
Mistura 4
Mistura básica para o plano de fundo, utilizada tanto para a confecção da vegetação, quanto das rochas. Como dissemos anteriormente, vamos tratar aqui somente das rochas.
M4 = 50%AU + 20%VC +10%AC + 20%BT
Mistura 5
Fórmula para as rochas na sombra, no plano de fundo.
M5 = 25%M4 + 25%VC + 25%AC + 25%BT
Mistura 6
Rochas iluminadas, a distância
M6 = 50%M5 + 20%AC + 30%BT

Experimente, e você vai ver que não é tão difícil. Com a sequência, vai ser mais e mais fácil conseguir as proporções corretas. Sucesso!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A palheta de Kevin Mcpherson

Kevin Mcpherson é um reconhecido pintor e professor americano, que publicou dois livros considerados de referência para quem está se iniciando na pintura de paisagem. São eles o Fill your Oil Paintings with Light & Color, e o segundo, que acho ainda mehor, Landscape Painting Inside & Out.
Neste segundo livro, o Kevin executa diversas demonstrações, sempre usando uma paleta primária, com amarelo de cádmio claro, vermelho também de cádmio claro e azul ultramarinho, além do branco, é claro.
Montmorillon, OST, 30 x 41 cm
Em algumas exceções, Kevin se utiliza também dos Portland Greys (cinzas) da Gamblin, o que teria sido absolutamente desnecessário, e me parece mero merchandising do fabricante.
Mas não atrapalha o nosso ponto.
Usando tons terrosos Kevin dá um exemplo de outra palheta, onde ele envolve amarelo ocre, terra de siena queimado, branco de titânio e o preto cromático, cuja obtenção você pode ver neste post: O Preto Cromático.
Veja abaixo o resultado:
Shark Harbor - 41 x 51 cm, OST
É interessante observar como o preto cromático permite interessantes tons azulados. Dá uma olhada no post que indiquei, e você vai ver porquê.