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terça-feira, 26 de julho de 2016

Gesso Acrílico - Faça você mesmo!

Eu tive a prova de que a leve camada de tinta que vem hoje em dia sobre o tecido das telas é insuficiente quando fui mostrar a um amigo alguns estudos de cor que tinha realizado há alguns anos.
Um susto!
O óleo tinha extravasado a tela, aparecendo manchas amarelas embaixo da região em que eu havia pintado as diferentes mostras de tinta.
A partir daí, comecei a tomar mais cuidado e a utilizar gesso acrílico em todas as telas, mesmo quando a mídia a ser utilizada também era acrílica.
Isto tem um custo. Um vidro com 500 ml de gesso acrílico de boa qualidade custa até 39,00.
Bem, como não tinha a menor ideia da formulação deste material me conformava e adquiria o produto.
Isto até ter uma surpresa no Youtube: Você mesmo pode fazer o seu gesso acrílico a um custo do qual mais tarde faremos a conta.
Vejamos os ingredientes:
Material a ser utilizado (além de água)

  1. Gesso branco, que você encontra nas lojas de artesanato e de material de construção
  2. Tinta acrílica branca (comprei uma lata de um litro)
  3. Cola PVA, adquirida na mesma loja em que comprei a tinta.
  4. Água

Para preparar o gesso acrílico, tive que me valer de alguns utensílios, que adquiri em loja de "Um e noventa e nove".
Utensílios
Vejamos a relação:

  1. Uma bacia de plástico
  2. Uma peneira
  3. Um medidor (no caso usei um de 125 ml)
  4. Uma concha
  5. Um frasco de plástico para fazer a mistura
  6. Uma colher
O primeiro passo foi peneirar o gesso, para evitar que algum grão maior entrasse em nosso preparado
Peneirando o gesso
Comecei então a mistura, que tem a seguinte composição:
  • Uma parte de gesso comum branco
  • Uma parte de água comum
  • Uma parte de cola PVA
  • Duas partes de tinta acrílica branca
Vamos lá:
Colocamos uma medida de gesso no recipiente
Misturamos igual quantidade de água ao gesso (125 ml)
Não se assuste com a cor, pois vai ficar acinzentado. Vamos a seguir para a cola:
Uma medida de cola PVA que será adicionada à mistura
Não deixe de mexer bem, desde a fase da mistura da água com o gesso. Tenha paciência e misture bastante, para que a nossa alquimia funcione!
Misturando, misturando, misturando...
E olha só: o seu gesso acrílico está pronto!
Gesso pronto
Parabéns, você preparou um gesso que eu considero melhor do que os do mercado, por um quinto do preço! Agora é só usar:
O gesso sendo aplicado em tela sobre MDF
Os meus gastos:

Gesso: R$7,00 (dois quilos)
Cola PVA: R$22,00 (1 litro)
Tinta Acrílica: R$22,00 (1 litro)

Você vai conseguir fazer muito Gesso Acrílico com este material aí!
E tem mais, o gesso é muito mais espesso do que qualquer um que utilizei até hoje. Se você não gostar desta característica, vá aos poucos colocando um mínimo de água, até chegar ao ponto que você achar ideal. De minha parte, quanto menos água, melhor!


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O cyan, o magenta e o amarelo primário

Uma das receitas para o iniciante na pintura é começar trabalhando somente com as cores primárias, ou seja, o amarelo, vermelho e azul. Mas que amarelo, vermelho e azul? Amarelo de cádmio, amarelo indiano? Vermelho de cádmio, vermelho alizarim? Azul ftalo, ultramar ou de cobalto? Ou será turquesa?
Bem, a tecnologia pode nos ajudar nesta história: basta pensar nos cartuchos de impressora que vem com versões destas cores, que são o cyan, o magenta e o amarelo primário.
Nas impressoras vem também o preto primário, que é o carvão, e o branco é representado simplesmente pela ausência de cor.
Trabalhando com uma palheta básica caracterizada por estas cores, só temos que acrescentar o branco, que pode ser o de titânio ou o de zinco, sendo o primeiro mais efetivo nas misturas, enquanto que o segundo mantem mais a transparência.
Bem, estou fugindo do assunto. Aqui trata-se de criar uma paleta básica que possamos utilizar para pintar, usando as três cores básicas e sem pensar nem no preto ou no branco.
Amarelo, magenta e cyan. As irregularidades observadas nas
lavadas são observadas graças ao papel de aquarela
Um recurso bastante utilizado pelos pintores para conhecer o lado para qual a tinta tende (quente ou fria) é a mistura com um pouco de branco, conforme podemos ver abaixo:
Na fileira de baixo, cada uma das cores com um pouco
de branco adicionado.
Como se pode observar, quando cada uma delas é "aberta" com um pouco de branco, dá para conhecer melhor a sua natureza. Assim:
  • O cyan (azul) tende para o quente,
  • O amarelo se mantém também dentro de sua natureza quente e
  • O magenta (vermelho), quando aberto, é uma cor que tende para um tom mais frio.
Vejamos abaixo como fica a obtenção das cores secundárias trabalhando com as primárias escolhidas:
A mistura do Amarelo com o Cyan nos trás um verde bastante parecido com o Verde Esmeralda, que pode ser clareado ou escurecido conforme alteramos a composição da mistura.
Quando misturamos o magenta com o amarelo, obtemos o laranja, que pode ser mais puxado para o laranja claro se usado mais amarelo, ou correr para um vermelho de cádmio claro se colocado mais magenta.
Finalmente, quando misturamos o cyan com o magenta, obtemos um violeta profundo, quase negro. Como o resultado fica muito escuro, é comum acrescentar um pouco de branco para abrir o violeta.
Duas dicas:
  • Comece as misturas sempre pela cor mais clara, que no nosso caso é o amarelo. Das três cores, o cyan tem o maior poder de tingimento, seguido pelo magenta. Assim, seja sempre econômico quando for utilizar o magenta numa mistura.
  • Você pode obter o preto cromático simplesmente misturando as três cores. Você poderá obter pretos mais quentes ou mais frios dependendo de sua receita.
Que tal tentar agora obter um amarelo ocre, ou um azul ultramar usando estas cores básicas? Você consegue, eu garanto!









sábado, 3 de outubro de 2015

A melhor forma de limpar um pincel

Hem?


Ficou surpreso com a imagem?

Pois é, eu limpava os meus pincéis (trabalho normalmente com óleo sobre tela) primeiramente com terebentina e papel toalha, até que os pincéis ficassem aparentemente limpos, e depois lavava com sabão de coco. O que você descobre é que por mais que aparentem estar limpos, ainda há muito resíduo de tinta nos pinceis.
Esta lavagem era composta de duas etapas: a primeira molhando o pincel na água e esfregando no sabão, e depois esfregando na palma da mão.
Ótima forma de se contaminar
Tudo bem. Foi sempre assim que eu fiz, e achava, apesar de ver que estava forçando substâncias como cádmio, chumbo, cobalto e outras tão perigosas quanto para dentro do organismo, esta era a única forma de deixar os meus pinceis verdadeiramente limpos.
Foi então que descobri no livro Daily Painting de Carol Marine uma forma simples e revolucionária, que me livrou para sempre de me contaminar na limpeza de meus pinceis.
E por incrível que pareça, quem resolveu isto foi uma simples bola de tênis.
Abaixo, eu lhe mostro como isto é muito simples.
Vamos então começar pela lista de material que você vai precisar:
  1. Uma bola de tênis (não precisa ser nova)
  2. Uma fita crepe, destas que se usa para pintura
  3. Uma faca do tipo Olfa
  4. Uma caneta esferográfica.
Comece por envolver a bola com a fita adesiva, dividindo-a em exatos dois hemisférios:
Envolvendo a bola com a fita crepe
Já com a fita crepe colada separando os dois hemisférios
Já com a fita colada, você vai partir para a segunda etapa, que é traçar uma linha exatamente no meio da fita crepe, o que lhe vai dar a linha de corte. A fita crepe serve de guia, de forma que você vai conseguir isto com facilidade.
Traçando a linha de corte
Veja a bola com a linha de corte completamente traçada:

A seguir, vamos para a fase que pode ser perigosa para as suas mãos, já que você vai usar a faquinha para realizar a operação acompanhando a linha de corte. A bola resiste um pouco, mas aos poucos e procurando cortar numa posição mais lateral, fica mais fácil. Deixe os seus dedos longe!
Secionando na linha de corte
Trabalhe com calma, procurando seguir a linha que você anteriormente traçou. Ao final, terá um resultado como este:
A bola de tênis, já separada em duas partes
Agora, você já pode se aproveitar deste seu novo artefato!
Comece por limpar os seus pincéis em terebentina, e depois vá para a bica do tanque molhe o pincel e esfregue no sabão de coco.

A seguir esfregue com movimentos circulares o pincel no interior da bola de tênis:
Usando o interior da bola para esfregar o pincel.
Lave o pincel e novamente esfregue no sabão. 
Repita a operação até o momento em que você observar que a espuma está límpida e abundante. Aí, você pode lavar o seu pincel somente com água, e aguardar que ele seque para utilizá-lo novamente (jamais use um pincel molhado! Isto para efeitos de óleo, já que o pincel pode ficar completamente esgarçado).
Utilizando-se da bolinha de tênis você vai ter a vantagem, a qual a gente já se referiu de não absorver pela pele agentes tóxicos, e em função do formato do interior da bola de tênis, os pelos tenderão a ser empurrados para o meio, o que tenderá a preservar mais os seus pinceis.
Nunca deixe de me procurar com qualquer dúvida, e até a próxima!




quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Construindo um Visor de Valores

Veja o primeiro post sobre visor de valores aqui

Dando continuidade à nossa conversa sobre o visor, vamos dar uma olha nos detalhes de sua construção, que é facílima. Vamos começar pelo material necessário:

  1. Uma cartolina, ou um papel cartão cinza. Não serve outra cor senão branco ou cinza.
  2. Um pedaço de papel celofane da cor escolhida (vermelho é melhor), que pode ser encontrado em locais como o Mercado Livre. Lá você encontra algo como "Kit gelatina celofane", em artigos de fotografia. Eu vi um em que vinham quatro folhas de 20 x 30 cm, por R$20,00. Eu escolheria duas verdes e duas vermelhas.
  3. Cola branca.
  4. Faca tipo Olfa (cuidado com os dedos!).
Corte dois pedaços de cartolina nos tamanhos e com o recorte central, conforme as medidas abaixo:
Eu esqueci de botar a altura do recorte central, que é de 6 cm.
Com as duas cartolinas já preparadas, corte um pedaço do seu filtro com 19 x 10 cm, de forma a que se encaixe entre os dois pedaços de cartolina. Cole o celofane à cartolina inferior, e imediatamente cole sobre o celofane a cartolina superior. Por segurança, deixe um dicionário ou um livro pesado sobre o visor, até que tudo seque.
E pronto, o visor está construindo! Eu se fosse você, faria dois: Um vermelho e um verde, tal como eu tenho. Até o próximo post!

Visor de valores

Nós temos comentando, diversas vezes, nas características principais da cor, que são matiz, valor e intensidade.
Hoje, vamos trazer à baila a questão da dificuldade que o pintor sente pintando ao ar livre, ou mesmo com uma fotografia, de analisar corretamente a questão dos valores (claro/escuro), já que as cores quentes tendem a parecer mais claras do que as frias.
Existem programas que podem resolver isto tanto ao ar livre no iPad, quanto com qualquer imagem digital (que pode ser mudada para p&b), mas o pintor conta com recurso mais simples que é o visor de valores.
Visor de Valores

Você pode encontrar facilmente no Mercado Livre o celofane apropriado, que no caso deve ser verde ou vermelho (lá os anúncios são de "gelatina", e são voltados para fotógrafos).
Mas como é que isto funciona?
Ora, sabemos que quando o matiz (as cores) é subtraído, restando tão somente o que o filtro deixa passar, o que sobra é uma imagem equivalente a uma em preto e branco, só que no nosso caso, em verde ou vermelho.
Aí a gradação de claro escuro fica evidente, já que estamos falando de uma só cor, o que facilita o trabalho do aficionado.
O filtro é de construção fácil, com dois pedaços de cartolina recortados internamente (como pode ser visto na foto), e colados com o celofane no meio.
Vejam abaixo um exemplo com o filtro verde para começar e, a seguir, com o vermelho.
O nosso cenário, que é a vista da janela do meu Ateliê
Abaixo, vamos examinar o mesmo cenário, só que utilizando o visor verde:
Com o visor verde
Note que as cores foram reduzidas a valores de verde, o que permite ao observador saber exatamente o que é mais claro e mais escuro no cenário que pretende capturar em sua pintura.
Mostramos a seguir o mesmo cenário, só que se utilizando do visor vermelho:
Usando o visor vermelho
Com o vermelho, as formas ficam mais borradas, mas no entanto temos a vantagem de obter valores mais aproximados, o que vai nos ajudar em nossa pintura.
Este é um acessório de custo mínimo e que auxilia em muito o trabalho de quem vai pintar au plein air, ou mesmo no estúdio. Construa um e aproveite!

Para ver como construir o visor de valores, clique aqui.



terça-feira, 29 de setembro de 2015

Dicas do James Gurney para melhor pintar

Antes de mais nada James Gurney é "o fera", autor dos livros Color and Light, a Guide for Realist Painters e Imaginative Realism. É ilustrador do National Geographic Magazine e trabalha para a indústria cinematográfica. Então, vale a pena prestar atenção ao que ele fala!


James Gurney dá 5 dicas essenciais para quem quer pintar bem:

1. Utilize o maior pincel possível para as primeiras passagens.
2. Pinte as maiores massas primeiro, seguindo para as menores em sequência.
3. Aguarde para dar os realces de valor (brilho) e intensidade para o final.
4. Tente suavizar qualquer qualquer limite que não precise ser agudo.
5. Use tempo para determinar o centro de interesse da pintura de forma correta.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Pérolas do Pensamento - Alex Trochut

"Não há uma identidade criativa para Ninguém.
Algumas vezes, estilo é uma prisão na qual você mesmo se coloca.
Basta se manter trabalhando e, ao final, aquele monte de coisas é você"

Alex Trochut

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A cilada da Perfeição

O professor de cerâmica anunciou na primeira aula que ele estava dividindo a classe em dois grupos. Todos do grupo à esquerda, ele falou, teriam sua avaliação baseada exclusivamente na quantidade de potes que eles produzissem. O outro grupo, ao contrário, seria avaliado pela qualidade das peças que viessem a produzir, não importando a quantidade.
No final do dia ele pesaria as peças do primeiro grupo: 23 quilos de potes lhes daria um grau “A”, 19 quilos dariam um grau “B”, e assim por diante. Os que seriam avaliados pela qualidade de seus potes teriam um “A”, se fossem perfeitos, diminuindo a avaliação conforme a qualidade fosse decrescendo.
Quando chegou a hora de avaliar os resultados, um fato curioso surgiu: Os trabalhos de melhor qualidade pertenciam ao grupo que estava sendo avaliado pela quantidade. Parece que, enquanto o grupo da “quantidade” estava ocupado lidando com montes de argila num processo de aprendizado a base do erro/acerto – o grupo da “qualidade” investiu seu tempo teorizando sobre a perfeição, e terminou ao final tendo menos trabalhos para mostrar do que suas grandiloqüentes teorias e um monte de argila não utilizada.

Se você pensa que um bom trabalho é de alguma forma sinônimo de trabalho perfeito, você está caminhando para um problemão. Arte é humana, portanto arte é erro.

*Trecho traduzido do livro Art & Fear de David Bayles & Ted Orland

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Cada dia uma pintura

Se tem uma coisa que me dá prazer na vida é saber que sempre está chegando alguma encomenda pelo correio para mim.
Tintas, materiais, revistas e livros, ah os livros da Amazon...
Pois bem recebi semana passada o Daily Painting da Carol Marine, que é uma preciosidade.
Daily Painting
Carol, que trabalha em obras de pequeno formato, em quadrados de seis polegadas o que não dá nem 16 centímetros, defende que esta é a forma mais eficiente de você produzir arte - Pinte pequeno e sempre para se tornar um artista mais criativo, produtivo e de sucesso.
Rose Glow - OST - 6" x 6"
Ela diz que recebeu este conselho cedo em sua vida de artista, mas que não deu bola, continuando a trabalhar com formatos grandes e desanimadores
- e agora, o que é que eu faço com este fundo?
- puxa, mas já pintei 6 quadros este mê?
- será que vai dar tempo? até preparar tudo, vai estar na hora de ir embora...
Mas, depois de bastante tempo colocada em uma realidade onde só tinha chance de pintar enquanto o seu filho pequeno tirava suas sonecas, ela teve que se decidir, e resolveu que alguma coisa que levasse entre meia e uma hora e meia para fazer seria o suficiente. Além do que perder um quadro de 16 x 16cm não custa nada, né?
E nós todos sabemos que o que mais nos impede é o medo de errar...
Se errar, limpa tudo (ela pinta a óleo) e começa de novo. Ou simplesmente joga fora e faz outro.
Os seus motivos são majoritariamente naturezas mortas, escapando algumas vezes para a paisagem e para o plein air.
Na natureza morta de pequenas proporções (tem que ser pequeno para caber num quadro mínimo), o arranjo é facil, os materias são fáceis de arranjar, a luz é fácil, e o canto onde o arranjo vai ficar também é fácil de montar.
Mas vejamos por ela mesma o que ela defende como argumentos para pintar pequeno:
Intimidating - OST  6 x 6" - 2011
"Eu tenho dividido a minha história pessoal - e eu sou a prova viva que pintar diariamente pode mudar a sua vida e careira. Mas se você não está convencido disto, deixe-se lhe mostrar os prós e os cons de mudar para a atitude de pintar diariamente:
  • Cabe no seu cronograma apertado. Nós temos vidas ocupadas. Nos trabalhamos e temos vida em família, e isto pode nos levar a um eterno processo de procrastinação no que se refere à pintura. Mas se você consegue encontra um canto (e pode ser um pequeno espaço já que o sistema de daily painting não tem porque mais área), o seu material pode estar sempre pronto, e você entrar no hábito de produzir uma pequena pintura todos os dias que não levaria uma hora para ser completada vai lhe parecer muito menos exaustiva.
  • Você se torna mais disposto a se arriscar. Quando você só está trabalhando com trabalhos de grandes proporções, você sente muitas vezes uma compulsão para terminar as coisas logo, para que a obra vá logo para uma galeria ou exibição. COm esta mentalidade, pode se tornar difícil tentar qualquer tipo de real experimento. Mas, com pequenas pinturas que tomaram em torno de uma hora você pode tentar várias coisas todos os dias.
  • Você está menos emocionalmente envolvido.  Quando você gasta dias ou semanas em uma pintura, é um sofrimento quando o resultado é desalentador. Quando você pinta diariamente e fazendo em sua maior parte pequenos trabalhos, perde rapidamente aquele senso de preciosidade que é a perdição dos artistas. Fica muito mais fácil dizer "Esta aqui não funcionou. Quem sabe a próxima..
  • O processo facilita um crescimento rápido. Um dia você pinta e tem uma idéia de como poderia ter melhorado um pouco aquela pintura. No dia seguinte você tenta a nova idèia, mas resolve fazer um novo ajustamento. E no dia seguinte de novo e assim em diante. Quando você só pinta uma vez por semana, será incomum se lembrar como se deram as coisas uma semana atrás, inda mais quais foram os seus pequenos erros e acertos.
  • Você sente menos medo. Quando sabe que estará trabalhando durante algum tempo em uma obra de grandes proporções, existe costumeiramente uma forte pressão para fazer aquela peça uma obra de mestre, e o medo correlato de que ela não venha a ser, que é o que acontece com o comum dos mortais. Com pequenas e rápidas telas existe muito menos pressão, o que termina por aliviar um bocado do medo que está em volta.
  • Curte mais o processo. Quando sabe que estará trabalhando em um monte de pequenas pinturas, é muito mais fácil se sentir confortável no processo de criação e curtir o próprio processo de pintura (pintar por pintar). Você descobre que nem todas as pinturas funcionam mas que você está num processo de crescimento, e é este desafio pela melhora que torna o processo de pintar tão excitante.
  • Ganha confiança. Conforme você melhora, e mais e mais pinturas funcionam, você desenvolve maior segurança em sua habilidade. Você pode até ser tentado a extranhas idéias como dar aulas ou viajar para ministrar workshops (quem sabe, né?)
  • É menos tedioso.  Com uma pintura de grandes proporções existem comumente áreas que você se vê obrigado a preencher no background, o que lhe leva a perguntar qual a necessidade de pintar aquela coisa toda.
  • Existe mais estrutura.  Se você pretende, e começa a pintar uma obra por dia, isto lhe obriga a adotar uma rotina em sua vida, onde provavelmente antes não havia. Quando a gente tem todo o tempo do mundo e nenhuma expectativa, isto nos leva a procrastinar, isto não soa familiar?
  • Isto ajuda em seus trabalhos maiores.  Melhor de tudo, quando você decidir por realizar obras de maior porte você vai levar tudo que aprendeu com a rotina de "Um dia, uma pintura".
O texto acima foi traduzido livremente, das páginas 8 e 10 do livro da Carol Marine.
Quem quiser conhecer melhor o seu trabalho, visite http://carolmarine.blogspot.com.br/
Quem quiser adquirir o livro compre aqui (amazon.com)
Pink Flower, 34 x 40 inches, OST, 2004

Inté, amigos!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Os segredos do cinza II

Agora que já preparamos o nosso preto tonal, e misturamos alguns cinzas diferentes, estamos preparados para avançar mais um passo no domínio das cores que é, no fundo, o que estamos fazendo.
Vamos preparar novamente um preto tonal, nos utilizando daquela mistura de ultramar, carmim e amarelo de cádmio.
Neste momento, vale uma observação - Não é necessário que trabalhemos em acrílico. Quem já está acostumado com o óleo e aprecia a calma no momento de preparar a sua mistura, prossiga deste jeito, que ao final, talvez demorando um pouquinho mais para secar, vai dar tudo no mesmo.
Vamos nos utilizar de uma escala de cinza menor do que a padrão (de nove valores). Uma escala somente com cinco valores será suficiente para o nosso exercício. Você pode baixar a escala aqui.
Escala de cinco valores de cinza
Com os cinzas preparados de acordo com a escala acima, vamos fazer o nosso primeiro exercício de valores, que nada mais é do que desprezar as cores de uma imagem e criar uma obra se utilizando somente de seus valores em preto e branco.
Fotografia tirada no entôrno de Brasília
Vamos mudar um pouco esta foto, tirando as suas cores, o que nos dará idéia do trabalho a ser realizado:
Aqui eu já marquei o que seria o meu ponto preferencial de interesse, o
ponto para onde gostaria de trazer a atenção das pessoas
Para evitar um fundo branco e sem graça na tela, dei uma aguada de amarelo-ocre, o que fará com que ele transpareça em alguns pontos da pintura.
E agora, ao trabalho! Vejam o que consegui como resultado final:
Segredos do Cinza AST 22,5 x 30,0 cm
Vamos lá?

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Os segredos do cinza I

O cinza é a cor sem a cor. Simples, não?
Sendo menos hermético, quando discutimos a harmonia de cores (veja as postagens clicando aqui) vimos que dentre as suas três características, uma era a intensidade.
Assim, podemos aumentar ou diminuir a intensidade de uma cor, saindo de sua intensidade normal para uma que identificaríamos como "estourada" ou, por outro lado, rebaixando a intensidade até que a cor se torne em um cinza, ou algo muito próximo disto. Na roda das cores de Munsell (primeira postagem de harmonia) seria o círculo central, ou as porções mais próximas dele.
O pintor que já possui maestria sabe que oscilando a intensidade das cores aumenta a chance de harmonizá-las, e uma das técnicas utilizadas para isto é a mistura com maiores ou menores doses de cinza.
"Mas que cinza? Será que você está falando de adicionar preto ao branco?"
Aqui está o nosso primeiro segredo: Não vamos nos utilizar de nenhum dos pretos que estão  disponíveis no mercado.
Vamos preparar o nosso, a partir das cores primárias amarelo, azul e vermelho. A esta nova cor, chamamos de preto tonal.
O vermelho, azul e amarelo devem ser apropriados para esta mistura, e constar da paleta que pretendemos utilizar em nosso trabalho cotidiano.
Observação: Cabe aqui assinalar que o preto tonal pode ser obtido de outras formas, como por exemplo a mistura do alizarim crinsom com o verde veridian, e outras tantas receitas, mas para facilidade de trabalho, vamos continuar com a solução da mistura das três primárias.
Assim, vamos tomar duas providências:
Amarelo e vermelho de cádmio, azul ultramar e branco titâneo


  1. Utilizar tinta de somente um fabricante, que no caso vai ser a Corfix acrílica, série Art;
  2. Usar as cores azul ultramar, vermelho de cádmio médio e amarelo de cádmio médio, Posteriormente, para a criação dos cinzas, nos utilizaremos também do branco de titâneo.
Comecemos por colocar um pouco de cada uma das cores na paleta. Com a experiência, você vai aprender que o azul é mais utilizado que o vermelho, que por sua vez, é mais utilizado que o amarelo na construção do preto tonal.
Use uma espátula, que pode ser facilmente limpa e evita uma contaminação indesejada das tintas puras, e comece a fazer uma mistura das cores.
Dica: Antes de começar o trabalho coloque algumas gotas do retardador de secagem da Corfix em cima de cada montinho de cor, e misture.
Quando for mixar as três cores, trabalhe aos poucos, de forma a prevenir eventuais desvios para o violeta ou para o verde.
Pronto, conseguimos o nosso Preto Tonal!
Construção do preto tonal
Com certeza não vai ter a negritude de um preto de marte, mas tem em si as nossas três primárias, um fator de integração na hora de fazer as misturas. Agora, é só criar quantos tons de cinza desejarmos, misturando doses diferentes do branco de titâneo com o nosso preto.
Cinzas a partir do preto tonal
Na próxima parte, veremos como esquentar e esfriar estes cinzas, deixando-os preparados para que, com pequenas adições de cor pura, possamos criar as nossas obras.
Uma observação final é que o pintor que se utiliza de óleo tem mais facilidade com estas pré-misturas, já que não tendem a secar rapidamente. No entanto, os retardadores são uma boa solução para o problema.


domingo, 17 de agosto de 2014

Harmonia das cores - Parte V - Final


Só para lembrar, nós começamos escolhendo uma gama de cores dentro da roda de Munsell, com o uso de uma máscara, determinamos uma escala de valores claro-escuro, também de acordo com Munsell, que vai de 1 (o mas escuro) até 9 (cor branca), e montamos, ainda sem usar tinta propriamente dita, a escala do que deveriam ser as quatro cores escolhidas.
Agora, é hora de trabalhar com as tintas e a palheta, para encontrar as vinte misturas necessárias:

As cores base para a mistura foram o violeta, azul ftalo, verde veridian, amarelo cadmio claro, amarelo ocre, branco de titânio e preto de marfim.
Testamos as cores numa tabela que construimos de acordo com os valores dantes determinados:
E, para curtir este trabalho todo, fizemos um pequeno estudo usando as misturas preparadas.
Pronto! Espero que o sistema de Munsell seja de bom proveito para você criar quadros perfeitamente harmonizados em suas cores. Além disso, estas informações servem para qualquer finalidade de design, patch-work, escolha de roupas, qualquer coisa que envolva combinação de cores.
Inté!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Harmonia das Cores - Parte IV Utilização da Escala de Valores

Para ver o post anterior, clique aqui.
Um pouquinho de considerações, ainda, antes de chegarmos lá. O que vamos fazer será uma tabela com as nossas quatro cores, de 4 cores por 6 valores, ou seja, variando o valor de cada cor em seis faixas. Com estas 24 misturas, estaremos aptos então a pintar qualquer obra com cores harmônicas. Pois vamos lá!
Lembra que conversamos sobre a divisão proposta por Munsell de valor (do claro ao escuro), numa tabela indo de 1 - mais escuro - até 9 - branco total? No entanto, para nosso trabalho, não vamos precisar disto, de forma que "aparei" a escala de Munsell em um valor para cima, e dois em seu extremo mais escuro.
Escala completa de Munsell e a que vamos usar

Isto porque é raro nos utilizarmos de valores tão extremos, como o 1, 2 ou o 9. Considere-os como notas super-graves ou super-agudas, usadas tão somente por quem já domina muito bem o seu instrumento.
Agora, começam as questões. As nossas cores (as que selecionamos aplicando a máscara, no post anterior) tem qual valor?
Vamos ver? Comecemos pelo nosso azul, que fomos colher lá na região do azul-violeta:
Azul com a escala de valores

Observem que o azul é 6 na escala de valores de Munsell. Alguma dúvida? Então veja esta mesma imagem em preto e branco:
Mesma imagem em P&B

Compare os valores para o amarelo:
Como você pode ver, o amarelo mantém a constância de valor na escala (6).
Veja o vermelho relativo (que em verdade está muito mais para o violeta em função da aplicação da máscara).
De novo, temos o valor 6. Tente imaginar a escala de valores sendo movida para cima e para baixo, de forma que o cinzento 7, ou o 5, fiquem junto à mancha colorida. Dá para ver que o valor 6 é o mais apropriado, não?
Por último, o verde:
Sem surpresas. O verde também se mantém no 6 na escala de valores. Qual a conclusão disto?
É a de que apesar de algumas cores por serem frias, parecem mais escuras, em função do nosso método de construção, permanecerão todas com o mesmo valor.
Bem, fizemos tudo isto para chegar ao nosso próximo passo, que é mistura de cores para a construção de uma tabela de cor x valor, com as quatro cores e os 6 degraus de nossa escala de valores, que vai do 3 (mais escuro) até o 8, que é um cinza clarinho.
Inté.