quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A palheta de Kevin Mcpherson

Kevin Mcpherson é um reconhecido pintor e professor americano, que publicou dois livros considerados de referência para quem está se iniciando na pintura de paisagem. São eles o Fill your Oil Paintings with Light & Color, e o segundo, que acho ainda mehor, Landscape Painting Inside & Out.
Neste segundo livro, o Kevin executa diversas demonstrações, sempre usando uma paleta primária, com amarelo de cádmio claro, vermelho também de cádmio claro e azul ultramarinho, além do branco, é claro.
Montmorillon, OST, 30 x 41 cm
Em algumas exceções, Kevin se utiliza também dos Portland Greys (cinzas) da Gamblin, o que teria sido absolutamente desnecessário, e me parece mero merchandising do fabricante.
Mas não atrapalha o nosso ponto.
Usando tons terrosos Kevin dá um exemplo de outra palheta, onde ele envolve amarelo ocre, terra de siena queimado, branco de titânio e o preto cromático, cuja obtenção você pode ver neste post: O Preto Cromático.
Veja abaixo o resultado:
Shark Harbor - 41 x 51 cm, OST
É interessante observar como o preto cromático permite interessantes tons azulados. Dá uma olhada no post que indiquei, e você vai ver porquê.

domingo, 3 de novembro de 2013

Dúvida crucial.


Imagine que você está para ser deixado em uma ilha abandonada e que vão lhe deixar com suficiente provisão de pintura, para os dois anos que você vai passar lá. 
No entanto, tem uma pegadinha:
- Só vão lhe deixar as três cores primárias, e o branco.
Considerando a quantidade de diferentes vermelhos, amarelos e azuis que o mercado oferece, qual seria a sua escolha? 
Por favor, poste o seu comentário e, se quiser, justifique.
Faço esta pergunta para meus botões porque é muito comum a dica de "trabalhe com as primárias!", mas ninguém diz que primárias são estas. 
Assim, o que eu queria que você dissesse é qual dos vermelhos você escolheria, por exemplo, o vermelho de cádmio claro ou o alizarin crimson. Dos amarelos qual seria a sua escolha? O de cádmio também, o ocre, ou o amarelo indiano? E dos azuis? O ultramar, o de cobalto ou o cian? Deixe a sua escolha num comentário, e depois vamos ver o que todo mundo falou.

Conhecendo melhor o branco


A minha curiosidade com as possibilidades do branco não vem de hoje, mas só há algum tempo tive ocasião, ainda usando acrílico, de testar um branco diferente do branco de titânio, de uso quase universal em nossos dias.
Testei o branco de zinco (da Golden), e notei diferenças no que se referia à transparência. Ou seja, o branco de zinco me pareceu um pouco mais “fraco”.
Quando passei a me utilizar de tintas a  óleo, pude me aproximar de outras variedades do branco, que logo me mostraram o quanto eram diferentes.
Mas, vamos começar lá, lá para trás.
Os nossos tataravós pintores, aqueles que conviviam com os dinossauros, pintavam usando o branco dado pela terra, ou seja, o material que hoje conhecemos como giz de calcário.
Um pouco depois, ainda nos primórdios da cor, começaram a se utilizar de ossos para obter o branco para a pintura.
Já em tempos mais modernos, quando o Ocidente intensificou suas trocas com o Oriente, a pintura ganhou um presente literalmente da China que foi o carbonato de chumbo, ou Branco de Chumbo. Este pigmento logo se impôs por sua qualidade.
Apreciado até nossos tempos (Lucian Freud o usava com largueza), este branco tem qualidades de brilho que alguns julgam inigualável, pagando-se o preço de sua toxidade conhecida.
No final do século dezoito, apareceu na França o Branco de Zinco, com duas imediatas vantagens sobre o de Chumbo, que foram a sua não toxidade, e o fato de que não amarelava, coisa que acontecia com o Branco de Chumbo sob determinadas condições.
E finalmente, em 1919 foi sintetizado na Noruega o Branco de Titânio, que hoje é utilizado pela maioria dos pintores.

Por último, quando é desejada alguma transparência no branco deve-se utilizar o branco de Zinco ou de Chumbo, já que o de Titânio tende a se sobrepor quando do uso das técnicas de veladura. O Primeiro tende a secar com um tom mais apropriado para as cores frias, e o de Chumbo para o lado mais quente da Paleta de Cores.
Apesar do menor perigo, porque este produto hoje em dia já vem misturado e embalado em tubos, pode-se usar este branco, tomada a precaução mínima da utilização de luvas cirúrgicas e completa limpeza do material após o seu uso.