quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Por que pequenos formatos?

O motivo fundamental é a possibilidade de tornar pinturas de qualidade acessíveis a todos os bolsos.
Mas isto, no século passado era impensável. Naquela época havia uma tendência de grandes formatos e do abandono do figurativo. No entanto, a novidade só foi até certo ponto, apesar de que poucos novos pintores se arriscaram no mundo representacional. Isto até se explica pela impaciência do aluno da época em aprender a boa técnica e a necessidade de aparecer através dos grandes formatos.

O que se vê agora é uma valorização no sentido inverso, com os mercados americano e europeu em busca da pintura com talento sempre, mas com o artista dominando as técnicas de desenho, pintura e composição, o que só se ganha com muito esforço.
A busca pelo pequeno formato, no entanto, não foi somente uma solução em busca de mercado. Os pintores de paisagem, não podendo ter muita bagagem em suas longas caminhadas com mochilas e cavaletes, se obrigam a levar telas de menor tamanho e, de preferência, sem chassis, para ocupar menos espaço .
Assim, o chassis tradicional está sendo abandonado, sendo muito utilizada a placa de MDF ou duratex, onde é fixada a tela. É comum também o pintor prender a tela de maneira provisória, soltando-a a posteriori. Esse comportamento facilita a armazenagem  e a manipulação das obras, que só vão ser esticadas (colocadas em chassis) no momento de sua exposição.
Assim, preços, qualidade e facilidade de manipulação tornam as obras de pequeno porte em tendência do momento.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

E se o Mercado de Arte nunca se recuperar?

Lendo o blog do Mark Edward Adams, escultor americano, deparei-me com uma postagem com o título acima, versando sobre a crise no Mercado de Arte que parece acontecer em toda a parte. Na visão de Mark, no entanto, a coisa não é bem assim. Traduzi abaixo, parte de sua postagem:

"Houve um tempo em que a galeria era a fonte de novos artistas. Elas realizavam promoções para artistas novos e grandes exposições para os artistas consagrados. Estes eventos tinham a cobertura das grandes revistas de arte. Todavia, com o advento da era da informação, tudo mudou.

Hoje em dia, o Colecionador tem o poder de procurar artistas através do Facebook,  blogs, websites dos próprios artistas, etc. Eles podem inclusive contatar diretamente o artista. O centro do mundo da arte está se movendo para longe das galerias e em direção do espaço digital. Os dias em que multidão de interessados entravam aleatoriamente nas galerias estão diminuindo.


Enquanto isto pode parecer uma tragédia para o mundo das galerias, é na realidade uma oportunidade. É uma chance para elas de abraçar a era digital e trabalhar com os artistas como parceiros para promover ambos – a galeria e o próprio artista. Se trabalharem juntos eu acredito que um novo modelo de negócio irá aparecer. Não sei como estarão as coisas daqui a 10 anos, mas estou animado. Nós estamos experimentando um tempo de transições e enquanto o mundo da arte como nós o conhecemos pode nunca se recuperar, um novo está para aparecer."

Quem quiser ler a postarem inteira pode encontrá-la aqui.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Pintando Rochas

Como uma primeira observação, este é um exercício para o iniciante que ainda está, sabiamente, se restringindo a uma palheta com as cores básicas. A intenção é de uma palheta equilibrada, nem quente, nem fria.

Se você entrar no Youtube, provavelmente vai encontrar um monte de vídeos ensinando a pintura de rochas. Todas elas em inglês, é verdade, mas em pintura importa mais o que se vê do que se ouve, não é verdade?
Mas tem gente, como o Richard Robinson que dão dicas mais precisas, e uma delas é justamente sobre a cor, sobre a mistura que a gente tem que fazer para obter uma cor aproximada das rochas, ou das pedras que se pretende pintar.
Antes de entrarmos na mistura propriamente, temos que nos lembrar da questão da perspectiva espacial, que torna as coisas que estão num plano mais longínquo (background) mais claras e indistintas do que as que estão na frente (foreground).
Veja abaixo as misturas que preparei, de acordo com a receita do Robinson para a cor das rochas. Na parte de cima está a sequência para a obtenção da parte sob a luz e sombra no foreground. Depois, a sequência é demonstrada para rochas pintadas à distância.
As cores utilizadas são:

  • AU - Azul Ultramarinho
  • VC - Vermelho de Cádmio
  • AC - Amarelo de Cádmio
  • BT - Branco de Titâneo
No caso de não dispor das cores exatas, não há grande problema. Utilize-se das mais aproximadas.
Veja como é simples a obtenção das misturas:
1. FOREGROUND (Primeiro Plano)
Mistura 1
Esta é uma mistura básica, que serve para a obtenção tanto da cor das rochas, quanto da vegetação. Trataremos da vegetação em outra postagem.
Então: M1 = 60%AU + 40%VC
Se você ler alto a fórmula a coisa vai parecer menos "matematiquês": A mistura Um é composta de sessenta por cento de azul ultramarinho e quarenta por cento de vermelho de cádmio. Viu?. Uma outra dica, é usar um acetato - muito comum em embalagens, ou que pode ser adquirido em lojas de material de pintura - para fazer um marcador. Farei uma postagem a seguir para explicar como fazer este marcador.
Mistura 2
A segunda mistura é para a representação das faces da rocha na sombra:
M2 = 30%M1 + 25%VC + 25%AC + 20%BT
Mistura 3
Representação da rocha em suas faces iluminadas.
M3 = 50%M2 + 20%AC + 30%BT
2. BACKGROUND (Plano de Fundo)
Mistura 4
Mistura básica para o plano de fundo, utilizada tanto para a confecção da vegetação, quanto das rochas. Como dissemos anteriormente, vamos tratar aqui somente das rochas.
M4 = 50%AU + 20%VC +10%AC + 20%BT
Mistura 5
Fórmula para as rochas na sombra, no plano de fundo.
M5 = 25%M4 + 25%VC + 25%AC + 25%BT
Mistura 6
Rochas iluminadas, a distância
M6 = 50%M5 + 20%AC + 30%BT

Experimente, e você vai ver que não é tão difícil. Com a sequência, vai ser mais e mais fácil conseguir as proporções corretas. Sucesso!